Olá a todos.
De volta às viagens intercontinentais, aqui estou eu de novo a escrever o que possa e consiga entre as passagens pelos sítios diferentes…
A viagem hoje começou em Londres, ou mais propriamente em Brentford. Não sem sobressaltos já que a primeira tentativa de sair de casa foi frustrada pq o telemóvel resolveu ir parar debaixo do cobertor e então fugiu à olhada de lince pré saída. Resultado… Foi descoberto a tempo e tive de ir a correr buscá-lo e voltar à ida.
Um aparte localizante. Há que lembrar que saindo destas partes Londrinas e comparando as pessoas, um gajo nem sente bem as viagens, de onde sai/está ou vai. A bem dizer deve haver mais Paquistaneses por Km2 ali do que aqui em Abu Dhabi onde comecei a escrever. E as outras coisas todas mundiais que por ali passam.
Mas enfim, o que é certo é que as pessoas aqui em Inglaterra acabam por ser um pouco menos da terra deles, para se tornarem um misto da terra deles e da terra dos Ingleses, embora haja culturas que estão tão longe (como as Asiáticas das Índias) que mesmo avançando para um intermédio entre elas, tipo agora ele fica 50% Inglês ou 50% Paquistanês, pareça que elas estão ainda tão longe da cultura que os acolhe, neste caso a Euro-Inglesa. Aqui um realce para a religião, a coisa que mais nos separa neste mundo inter-cultural, porque realmente os Paquistaneses têm muito mais dificuldades em entrar no Mundo Ocidental porque são Muçulmanos antigos, não bebem e obrigam as mulheres a cobrirem-se, etc etc, enquanto que os Indianos bebem, e deixam as mulheres andarem de cabeça descoberta (se bem que o resto é pa cobrir)…
Começando a viagem.
As águas começam-se a separar no Terminal do aeroporto. No metro temos a mistura habitual mas sem distinções, Polacos, Somalis (as duas raças em maior crescendo nos 2 últimos anos em Inglaterra), Amarelo, Tuga, etc etc. O meu destino é o Paquistão mas pa chegar lá preciso de ir aos Emirados Árabes Unidos conhecido não só pela Selecção que uns anos atrás foi ao Mundial de Futebol, mas também pelo Dubai, terra turística internacional. O Terminal 3 de Heathrow do qual nunca tinha saído, é o terminal para os Asiáticos e por arrasto os Australianos, etc. Só a Virgin Europeia é que viaja de lá. Portanto, quanto mais me enfiava pelo terminal mais as caras Asiáticas apareciam, mais empregados falavam Árabe e demais línguas, etc etc. E cada vez mais se vem mulheres tapadonas e não são as que vem mal, mas as que cobrem o corpo com tecidos enormes para ver se não despertam a vontade ao Menaço de ver ou de tocar, isto já dizia o profeta Maomé há 1400 anos atrás. Coitadas das pessoas que se regem por princípios de há 1400 anos atrás (não esquecer que o Corão foi escrito 600 anos depois da Bíblia, isto é e já agora… ainda bem que já não nos regemos pela Bíblia duo-milenar). Esses princípios antigos sentem-se e dividem as águas quando entramos em sítios bem religiosos, especialmente os sitios Judaico-Cristãos-Muçulmanos monoteístas, tudo nascido lá prós lados de Jerusalém.
O check in para o voo foi feito já numa velocidade pouco Londrina, com os números de famílias grandes com sacos o dobro do tamanho deles a tomarem conta dos balcões e a fazerem perguntas e a tentarem sacar uns kilitos de graça das atenciosas senhoras (destapadas), que trabalhavam nos balcões. Tudo feito, e já a roçar o limite da entrada no voo (já não tenho idade pa estes stresses, mas olha, precisava daquela horinha de sono depois do Elifoot da noite passada). Indicaram-me um sitio diferente po porta-fatos (podia ficar preso algures na viagem de tapete rolante entre o balcão e o porão do avião). Então disseram-me pa mete-lo numa espécie de gaoiola semi abandonada perto do balcão, e prometeram que metiam aquilo no avião e, espero eu estar errado, não tenho a absoluta certeza de que vou vê-lo juntamente com a minha mala lá no aeroporto de Lahore (Paquistão), onde espero aterrar, dado que, devido a constantes e persistentes nevoeiros, muitos voos tem sido desviados para outras partes do Paquistão. Seria engraçado ver o voo desviado para Kabul no vizinho Afeganistão mas duvido que haja assim tanto nevoeiro no Paquistão todo.
Chegamos à porta de entrada pó avião e as águas continuavam-se a separar. Confesso que tenho dificuldade em diferenciar as pessoas que aqui estão entre os Árabes e os outros mais Indianos. Mas como é óbvio, há sempre maneiras! Estes rapazes gostam tanto das mulheres deles que as obrigam a vestir da maneira deles (porque os Homens tirando excepções vestem roupa que se poderia vestir em qq cidade Europeia, embora alguma dela tenha design antigo). Portanto vem-se as Indianas com as suas vestes Indianas, as Paquistaneses parecidas mas cobertas e menos coloridas, e depois hão de estar as Árabes ainda menos coloridas mas cobertinhas. Porque eles, como já disse salvo rara excepção preferem se vestir como os outros, quiçá para não levarem com olhares estranhos ou confusos de outras pessoas, como elas que andam na rua num Carnaval de cores ou tapadices. Pera lá, então o objectivo não era cobri-las para elas não se mostrarem e chamarem a atenção dos homens predadores e com cenas subidoras produtores de testosterona e passíveis de excitação precoce?? Então?? Bem, lá atenção há muita e de facto só se vê o que se pode imaginar, e se elas levam com olhares azar o delas, não é verdade, quem lhes mandou sair mulher! Isto mostra bastante bem o sentimento de inferioridade e de fraqueza do homem, que não admite que a mulher vista algo sexy porque tem medo que ela atraia atenção e baze, isto é, eu não vou lutar pela mulher vou manipulá-la e obriga-la a sacrificar metade da sua vida e personalidade pelo meu medo… e ainda dizem que as mulheres são inseguras… De qualquer das maneiras esta obrigação de tapar mulheres repudia-me por muitos amigos e camaradas que tenha ou vá ter no mundo Muçulmano!
A entrada no avião foi boa, já tinha escolhido o lugar no dia que comprei o bilhete online e nota-se que fui dos poucos a fazer isso. Resultado, lugar mesmo na fronteira dos pobres/ricos, com a vantagem de poder esticar as pernas dado que à minha frente não haver cadeiras mas apenas a linha de fronteira entre a Business Class e os outros. O avião era dos novos, senti logo a diferença. Com estas cenas da Ryanair um gajo esquece-se de como os aviões são. E além disso não há comparação nos requisitos da viagem local com os dos voos mais longos. Não posso deixar de relembrar que realmente no ano passado até fiz 2 viagens longas de avião, uma pa Goa num charter sem gds condições mas a preços baratos, a outra foi na nossa TAP que comparada com esta Etihad Airways parece ridiculamente velha e desactualizada. O avião da TAP que ia pa Caracas estava velho e ultrapassado (por ex não tinha tvs individuais, isto é tinha de se ver os programas que eles punham, enquanto que num avião de hoje em dia se pode ligar e desligar a tv individual que está na parte de trás do banco q tá em frente a ti), além de que as hospedeiras desta empresa são jovens, simpáticas e cheiram bem (tive mm para perguntar se era um requisito para trabalhar aqui, o usar perfume), enquanto que na TAP tínhamos lá pessoal de idade demasiado avançada pa tar dentro de um avião, e nem eram/foram dos mais simpáticos… pessoas com aquela idade deviam era estar a descansar algures perto de casa ou num escritório, e não a saltar de Continente pa Continente. Enfim, digamos que se reúnem as condições para um voo fixe por aqui. Confirmou-se com a comida (cordeiro) e com o serviço, bem estruturado e bem disposto… uma boa disposição ajuda sempre.
As pessoas do voo pa Abu Dhabi já eram mais parecidas com o final, com o que vou encontrar por lá pelo Paquistão, isto é a maioria era Indiana ou Paquistanesa, com alguns Árabes. As hospedeiras iam do Chinês (ou Asiático, se calhar eram Tailandesas, mas estavam na Cabine dos ricos, se calhar era por serem Branquinhas, este mundo gosta muito de brincar com essa coisa da cor), ao Indiano até ao Árabe, alem de haver outras que não sabia distinguir e tb não ousei perguntar, se calhar vinham de Inglaterra, mas isso não faz sentido, estes gajos nunca pagariam a Ingleses os preços que os outros ganham na empresa. Os únicos Europeus certos aqui eram os pilotos, esses ganham bem em qualquer parte do mundo.
Entre o ler o jornal que arranjei antes de entrar no avião (o Guardian) e comer, lá deu para falar com o companheiro de viagem. Indiano, "mas agora com Passaporte Britânico", vive em Bombaim, Management Consultant como frisou, isto é, não faço a mínima ideia o que faz, mas sei que deve falar bem. Lá lhe expliquei a minha cena e fomos falando aqui e ali, a certa altura fechei o olho. Ficou rapidamente noite, nós estávamos a ir contra o Sol, disse adeus ao Sol algures sobre Belgrado, sabendo que o ia encontrar quando chegasse a Lahore (se não houvesse nevoeiro pois claro). O resto da viagem foi calmo. Ah esquecia-me. O avião era tão simpático que até indicava a direcção de Meca (Makkah). No princípio não percebi que seta era aquela que, de 10 em 10 minutos apontava para fora da fotografia do avião na tv de bordo, mas tb não consigo ler a escrita Árabe. Mas depois lá percebi. Cada vez q o gajo mudava de rota lá se tinha de mudar a seta. Porque o maior medo de um Muçulmano imagino eu é o de rezar com o cu virado pa Meca, que afronta! Tem de ser feito bem viradinho, com a cara e as mãos viradas e 5 vezes ao dia. Por acaso ainda fui investigar o avião a ver se tinham uma sala para rezar como há em Heathrow (consta tb que a sala de reza" que havia na feira de Frankfurt era uma maradice pq para além de terem de rezar 5 vezes, virados pa Meca, tb tem de tirar os sapatos e se possível lavar os pés, o que se torna um pouco chato num salão internacional, enfim).
A aterragem em Abu Dhabi foi excelente, e com uma dinamica nova! Este avião é uma curte (Airbus A330-200). Tem 2 câmaras instaladas, uma por baixo do avião e outra na frente. Dá para ver o avião a aterrar e ver mais ou menos a perspectiva do piloto, incluindo qd chega ao solo em que o gajo vai de ladeiro e e dps bira o bião pa direita pa aterrar.... Foi fixe!
O aeroporto de Abu Dhabi é bastante básico. Ouvi dizer que o do Dubai é uma loucura de luxo, mas este é pequenito, com umas lojitas e uns portões de embarque e tal. Andei por lá à procura de um sitio para carregar o computador pq estava quase sem bateria, dado que tive a acabar uns trabalhos que não tinha podido acabar no dia anterior que passei com uma ressaca descomunal depois de uma noite excelente de copos num Pub de Stetchford com o Caiado e o Xavier. O aeroporto estava com bastantes tapadonas, mas tb havia algumas Europeias, e até vi uma de metro e oitenta com um vestido pelos tornozelos a mostrar 70% dos braços e o tornozelo todo, enfim, uma afronta para a mulher policia que vi. Ela própria só mostrava metade da testa e metade do queixo mais metade de cada bochecha (parecia que tinha uma cena cozida na cara de tão apertado que parecia) mas em contrapartida conseguia mostrar o nariz todo e até as pestanas e sobrancelhas, que muitas naquele aeroporto não tinham a coragem de mostrar. Vi por lá um grupo de Asiáticas tapadonas que deviam vir da Malásia, coitadas delas, tão longe de Meca mas mm assim tapadonas. Portanto até tinha um bando de pessoal diferente, de diversas áreas, e depois de carregar o computas (as fichas eram como as Inglesas) fui ao portão de embarque onde me juntei ao resto dos Paquistaneses (e praí 5 Europeus) que iam pa Lahore. La tivemos que tirar os sapatos, abrir os sacos, etc etc, mas tudo de uma maneira bem mais desordeira que nos aeroportos Europeus, com o Árabe policia de metro e meio a gritar assustadoramente num Inglês macarronico, façam uma fila, façam uma só filaaaaaa (repetidisimo), tudo a cagar, até que um ou outro diz, tas a falar pa mim, o pa eu tou aqui pq o Ze que esta aqui ao lado é meu amigo e eu sou atrás da Maria que está ali, e o outro que não está na fila aproveita para mandar uma desculpa ainda mais convincente, deste movimento fixe resultando que fica tudo semi-parado e com o raio x parado, etc. Enfim, ainda há sítios em que a policia tem a mania (Portugal já não é assim tanto a não ser que sejam os policias de choque e do outro lado estejam adeptos do FCP ou comunistas), mas enfim, tá calado ó baixinho que não vais a lado nenhum, deixa mas é passar, e um gajo lá tira os sapatos mete as cenas no raio x (havia pessoas a passar com carteiras e tudo, isto é não faziam a mínima ideia ou o que era um detector de metais ou então que as moedas tinham metal). Enfim, dei a volta ao Salim, passei pelo Rajid e caguei no moina, passei, não apitei e fui, pq o meu computador já tinha passado e a saquinha com o passaporte e a carteira também, não ia ficar mais tempo à espera que fossem investigar o que tinha na bolsinha, ainda me sacavam os Euros. Entramos no voo, depois da bandalheira inicial, eles demoraram prai 45 minutos a encher o avião, e eu fui dos últimos, não fui pa bicha, deixei o matagal ir. Já tinha o lugar reservado… Fomos de autocarro po avião e qd cheguei ao avião, outra vez a caminho do meu lugar semi-Vip mesmo ao lado dos ricos, deparei com um casal no meu lugar. Com um olhar 323, um ligeiro dobrar de sobrancelhas, expliquei ao gajo, BAZA. Ele disse: baby baby… Ele, como aliás metade de pessoal naquele voo, tinha 1 bebe… Nem discuti! Perguntei onde era o lugar dele e sentei-me. Era no banco mesmo atrás. Mais não sei quantos vieram a explicar que tinham bebes, que se queriam sentar ali, mas olha, também os outros tinham. Desliguei, não tava pa ouvi-los, os gajos que lutassem pelos lugares da frente que dava acesso a terem um sitiozinho pa meter um carrinho de bebe…
O gajo do lado desta vez era um Paquistanês de Lahore, que tinha uma fábrica de casacos de couro, vivia em Bruxelas (tinha lá uma loja), vendia pa toda a Europa, casacos que valiam 300 Euros (eram copiados das marcas que os vendiam a esse preço) mas o gajo vendia por 50 Euros. Se alguém quiser comprar casacos de couro Paquistaneses, que mande um e-mail e temos negócio! O couro é bom, o design copiado mas olha não se pode fazer tudo!!
A chegada a Lahore foi um mimo, tive mesmo sorte pq estando na frente do avião consegui ultrapassar a mulher da alfandega rapidamente. Rapidamente isto e pq havia poucas pessoas à minha frente. Pq mm assim demorou, e imaginem, ela tinha se esquecido de por o selo no Passaporte… Depois de 10 minutos a ver e rever, a preencher o cartão de entrada no Paquistão, etc, a gaja esquece-se de por o selo de entrada… Se não fosse o policia que ve selos (há que dar trabalho!) a notar tinha se calhar bons problemas à saída daqui! Depois fui buscar as malas… Com ganas de ver se tinham realmente posto o fato no avião (com poucas esperanças, e com o sono e tudo o resto já tava a preparar a mensagem à companhia aérea e à gaja que me tinha convencido a por o porta fatos na gaiola semi-abandonada). A mala veio rapidamente, o fato não… Esperava e esperava. Com curiosidade aliás, a ver as cenas que iam naquele tapete rolante. Com especial realce nuns bidões de água que vinham lá. Passei-me. Fonix, deu-me mesmo um vibe. Possa estes gajos trazem bidões de 5 litros de água? Será que nem água potável tem? Onde me fui meter… O sono não ajudava, já eram 2.30 da manhã Portuguesas, e tava Sol e tudo (o nevoeiro estava curto). Lá me explicaram que aquela água era água benta (ou lá como os Muçulmanos chamam à "Holy Water"). Vinha directamente de Meca! Ahhhhhhhh como a do Ganges. Pelo menos se não chover a água benta de Meca sempre dá pa fazer coisas, e ouvi dizer que a água do deserto é muito boa senão não tinham acabado com ela!!
Saí do aeroporto sem problemas (não sei antes provar ao "policia que ve se as malas que levas são mesmo tuas" que tinha papelzinho comprovante para levar as malas comigo) para deparar-me com um choque, possa esta cena cheira mal (o tal "nevoeiro" como chamam). Como um gajo se adapta bem (embora nunca me tenha adaptado a Cacia, nem àquela fabrica maradex que dantes havia em Matosinhos) ao cheiro isto só ia durar uns minutos, mas a primeira vez que respirei o "nevoero" passei-me, aquilo estava cheio de cenas no mínimo semi-tóxicas. Até sonhava com a poluiçãozinha de Londres, já me tava a ver a espirrar como um louco… Mas a sério, aquilo cheira estranho, e ainda por cima não chove aqui ou é raro por isso fica tudo no ar… Nem quero imaginar isto quando ficar calor e chegar aos 48 graus (agora estão uns maravilhosos 25 graus, temperatura ideal).
Ficamos por aqui hoje, depois vai-se divagar com o uso das mãos Europeias vs Asiáticas, e uma surpresa na chegada ao Paquistão com o Mr. Tiago businessman…
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