quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Ola a todos!

Pois e...ca continuo. Com algumas novidades para alguns para outros nao. Neste momento tive um tempinho para escrever o que se passa por estas bandas. Os pais (michiel and be) foram ao cinema e a babysitter ficou com a crianca que neste momento esta ja na cama +/- a dormir, por vezes solta uns pequenos choros que logo passam...devem ser colicas, mas volta logo a dormir.
Novidades... pois e, esta sexta fui ver um show de comedia improvisada (em ingles claro) aqui ao lado na faculdade. Aproveitei a noite de folga, porque a famelga foi toda jantar a casa de uns amigos, e comecei por ir ao primeiro show que comecava as 8h30. Foi jantar a correr como uma boa portuguesa, e sair de casa a correr mas como a faculdade e aqui ao lado, em 2 minutos la estava eu pronta para rir a valer. (desculpem fui interrompida pelo choro, era a falta da chupeta.. outra vez a dormir) continuando.. Cheguei la e aquilo era na parte do cafe do ''crea'' (faculdade). Tava cheio de gente e de barulho, la comprei e bilhete e fiquei a espera que aquilo comecasse. Era hilariante, sempre a comunicarem com o publico e era atraves do publico que eles comecavam com as improvisacoes e os jogos. Para quem tiver interessado deixo aqui o site
www.easylaughs.nl
Acabou o primeiro show e anunciaram que ia haver outro logo a seguir, as 22h30, e so era preciso pagar mais 2euros. Resolvi ficar, e rir mais um bocado. Durante este intervalo fui beber um cerveja e fumar um cigarro, ja que la dentro era permitido fumar mas estava ao lado de uma ''senhora'' inglesa ou holandesa (nao percebi), a quem pedi o cinzeiro, que me disse ''se tiver de ser!''. muito bem, tive de deixar esse cigarro para o intervalo. Segundo show, um especactulo! Tudo improvisado na hora e eles gozavam com tudo, seja holandes, ingles, portuga,... Num dos jogos perguntaram me de onde era, eu disse timidamente ''portugal''. Aproveitaram logo esse timidamente bem demais para fazerem uma demonstracao portuga, atraves das respostas do publico demonstraram uma situacao de engate... Mas continuando.. Quando cheguei a casa fui ao site ver o que era aquilo e vi que eles aos domingos fazem workshops para quem se quiser rir por apenas 5euros. (Hoje nao fui porque quando fui ver a hora do workshop ja era um pouco tarde, vou no proximo).
Para quem nao sabe ainda, inscrevi-me em dois cursos aqui na universidade. A escolha nao era muita porque poucos sao dados em ingles. Inicialmente escolhi Swing Jazz Standards e Dasindans. O primeiro como nao havia gente deixou de existir mas o professor recomendou S(w)inging Cuba, na qual agora estou inscrita. Pelo que a Be me disse canta-se musica cubana, americana, e africana, e tambem religiosa. Portanto nao sei o que esperar sequer.. so me lembro de Buena Vista Social Club, o que nao e mau. No workshop de danca aprende-se os passos basicos da danca, o que me vai permitir em janeiro fazer outro workshop mais avancado. Estes comecam um dia 25 e outro 27 de Setembro, e depois sao durante 15 semanas, uma vez por semana cada um.
Tirando isso a minha vida tem sido habituar a rotina, desde mudar fraldas, divertir a crianca, adormece la, aprender onde sao as coisas, aprender onde e o supermercado, maquinas de roupa, isso tudo... aprender a ser dona de casa e mae!!eheh... O que vale e que a Be ainda esta comigo e o trabalho e repartido.
Ja andei as voltas a conhecer tudo com a Be e a Filipa (que adora passear porque vai a dormir tranquilamente no carrinho). Ja fomos a feira, ao trabalho da Be, tratar da minha bicicleta, etc. Bicicleta ja fomos ver mas ainda nao comprei porque a Be acha que arranjamos melhor preco, vamos tratar disso esta semana. Tambem nao e muito necessario porque a casa e perto de tudo o que me interessa, tirando o conservatorio que e um pouco mais longe, e que ainda nao fui.
Ontem sai pela primeira vez de casa sozinha, andar por minha conta. Fui a uma feira que nao me lembro do nome, mas tem tudo. Desde roupa em segunda mao, a brinquedos foleiros dos chineses, a chapeus de todos os feitios e tamanhos (havias de gostar mano!), livros, barracas estilo andancas, enfim,... tudo o que gosto. E foi ontem que fumei o meu primeiro charro por estas bandas (nao fiques preocupada mae!eheh..).
Resolvi ir a primeira coffe shop de Amsterdam, segundo dizem, e comprei um charro por 3 euros e uma cola. O ''jovem'' que la trabalha perguntou logo de onde era e meteu logo conversa. So dizia ''tudo bem?'' e ''e erva da boa nao e?'' (com sotaque).. perguntou me o nome e dizia ''Maria Bonita''. Eu, um pouco enrascada, ria-me. (eles querem e ser simpaticos para la voltarmos).
Mas bastante tranquilo e fiquei a vontade. La escrevi um texto que vou passar apenas um bocado, aqui vai..

'' Habituar a ter uma vida que nao tinha, uma vida nova. primeiros dias, desespero. Ja a por na mesa que nao e esta vida que quero. Os dias de conhecer, aprender todas as responsabilidades que me mantem ca. nao falhes, nao podes. O esforco de tentar aprender em pouco tempo e com a ausencia de tudo provocou um certo desgaste que a quem vem de ferias e despedidas e dificil controlar. Com os dias e a rotina compreendida a poeira assenta e tudo comeca a fazer mais sentido e pensar em tudo que me trouxe ca. Comeco agora a construir a minha vida social, a andar sozinha nas ruas, a comecar a viver aqui. Acho que nos cursos vou comecar a conhecer gente, tornando isto um pouco mais entusiasmente."

Tem de dar o desconto da ''moca'', a escrita nao muito boa mas acho que se percebe. Tou bem e tou a comecar a tentar tornar-me independente de tudo e a andar por mim (coisa que ja nao fazia nada mal ai em Portugal).
ah... hoje aconteceu-me uma situacao um pouco embaracosa. Vieram ca uns amigos da Be do trabalho e uma disse me ''ola'' e estendeu-me a mao. Eu apertei, e como boa portuguesa que sou e educada tambem, fui-lhe dar dois beijinhos. Atitude que a deixou com uma cara bastante estranha e a olhar para mim com um ar ''Que se passa aqui?'', mas la me deu. A Be explicou-me em frente a eles que na Holanda so das dois beijinhos quando es amiga da pessoa e a conheces bem, mas tambem lhe explicou que em portugal o normal era dar dois beijinhos a toda a gente. Eu, um pouco envergonhada, disse ''sorry'' e ela riu-se. Agora ao menos ja sei que e aperto de mao sempre que nao conheces. (ah...e eles nao dao dois beijinhos, dao tres!).

Bem, nao tenho mais nada de importante para contar portanto deixo-vos em paz e sossego que tambem ja devem tar fartos de ler, ou entao nem chegaram ao fim o que e compreensivel. As novidades, as vidas, os sentimentos estao dados, quem quiser que responda, quem nao quiser... que leia. (gosto de respostas).

Pai...como me inscrevo no bacalhauabrasquez para escrever la se me apetecer?


A pedido da Maria enquanto nao se inscreve ....

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Convites ...

... e a abertura foi feita ... Lancei o desafio ao Xico Rangel, Xico Fialho, Zé Maria, Zé Borges , Fernando Caiado e à amiga da João ... sem compromissos ....

Para além disso reenviei convites a alguns membros nossos que ainda nao se inscreveram ... e outros ainda faltam ...

terça-feira, 11 de setembro de 2007

Verão Quente .... e outras confusões ...


Esta posta estava para ser um comentário ao texto do El Nando mas , comecei a escrever e foi sempre a aviar ... Resolvi po-lo aqui ....


Começo por dizer que gostei imenso deste post do ElNando por terras do Norte não só pelo conteúdo mas também pela clareza com que as ideias são expressas.

È verdade que muita da história do 25 de Abril , e particularmente do famoso Verão Quente de 75, ainda está por fazer.

A intensidade com que se vivia o dia a dia, o empenhamento mostrado pelas pessoas na sua generalidade, independentemente do lado da barricada em que estavam, a generosidade com que se entregavam a uma tarefa de reconstrução que em muitos casos assumiam como sua, foi talvez o que mais me marcou nesse período. Aquele bilhetinho que falava na Batalha da Produção estava relacionado com uma coisa extraordinária que se passou naquele tempo – por iniciativa de Sindicatos, Comissões de Trabalhadores e com o incentivo do Ministério do Trabalho na altura a cargo de um Major aviador ( Costa Martins, acho ) conectado com o PComunista, o pessoal decidiu ‘doar’ um dia de trabalho ao Estado , isto é, o salário de um dia de trabalho não era recebido pelo próprio e deveria ser entregue pelos patrões ao Estado. E assim foi. Suponho que não há verdadeiras estatísticas sobre o resultado desta iniciativa mas foram umas largas centenas de milhar que o fizeram. Conseguem imaginar isso possível nos dias de hoje ..?

A imaginação estava também na rua e expressava-se, entre outras formas, nos murais políticos e nos imensos auto-colantes que foram aparecendo sobre os mais diversos temas. Há um livro fantástico do sociólogo Boaventura Sousa Santos que, sendo quase factual desse conturbado período, tem imensa informação sobre a sequência dos acontecimentos. Muito bem ilustrado, repleto de fotografias, constitui uma amostra do que se ia passando ( El Nando. Tenho esse livro lá em casa e posso emprestar-to desde que com uma volta na ponta ).

As transformações sócio-culturais foram enormes e, que eu tenha conhecimento, só o António Barreto as analisou de uma forma pedagógica nos recentes documentários que passaram na TV. Estou certo que se tivessem passado uns meses antes o cabrão do Salazar não tinha ganho aquele concursozito para o melhor português.
Esses documentários deveriam ser matéria de estudo obrigatória nos primeiros anos do ensino oficial.

A participação popular foi evidente nesse período apesar do peso enorme ( e até excessivo ) das chamadas ‘vanguardas esclarecidas’ no processo revolucionário. Esse peso excessivo provocou , na maior parte dos casos, a instrumentalização das movimentações populares permanentes aos desígnios e objectivos das referidas vanguardas.

O MFA-Movimento das Forças Rmadas, que detinha o poder nessa altura, também reflectia essa ‘divisão ‘ da sociedade civil e a propoaganda e manipulação da informação foram determinantes na evolução dos acontecimentos.

Dentro do MFA havia, fundamentalmente, 3 sectores organizados:

- Os Gonçalvistas ( Vasco Gonçalves, Rosa Coutinho, Judas, Martins Guerreiro ….), claramente ligados ao PC e seus aliados
- O Grupo dos Nove ( Melo Antunes, Vasco Lourenço, Sousa Franco, Charais ), que , sendo o grupo mais heterogéneo, acabou por concentrar toda a direita, desde o Part. Socialista até aos extremistas da direita.
- O COPCON ( Otelo e sus muchachos ), ligado aos grupos da chamada Esquerda Revolucionária ( UDP, MES, LUAR, PRP-BR )

Esta tendência golpista que se sentia dentro do MFA dava uma ideia falsa de poder a cada uma das forças políticas que estavam por detrás, isto é, o poder que cada um destes sectores efectivamente possuía para influenciar a evolução da ‘revolução’ não tinha correspondência real no ‘futuro’ voto expresso pelas massas populares em Eleições ( a desilusão dos resultados das primeiras eleições constituintes no seio da esquerda foi evidente, nomeadamente para o PC que pensava que iria ter um peso eleitoral semelhante ao que os Paridos Comunistas Italiano ou Francês chegaram a ter nos anos 60-70).

Por outro lado, a ilusão que o grupo do COPCON tinha de comandar a situação era genialmente aproveitada pelos Gonçalvistas ( e pelo PC ) para ir conquistando poder, sem se comprometer directamente com rupturas violentas. A táctica era, mandar os fedelhos dos esquerdistas à frente e depois, se desse certo, ‘comê-los de cebolada, se não desse, abandoná-los ao seu radicalismo. ( Isto foi evidente no famoso 25 de Novembro em que há um recuo evidente do PC-Gonçalvistas que deixou completamente isolado o COPCON ). A esta táctica não foi estranho também os objectivos geo-estratégicos da URSS na altura. Nenhum dos blocos em luta na Guerra Fria estava interessado num país de feição comunista na Península Ibérica. A URSS já tinha a sua vitória com a forma como a descolonização se processou garantindo a independência das ex-colónias sob o signo de partidos da sua confiança ( FRELIMO em Moçambique, MPLA em Angola, PAIGC na Guiné-Cabo Verde )

Continuo a pensar que o grande erro da chamada Esquerda Revolucionária foi pensar que podia conquistar efectivamente o poder, sem ver que quem tinha uma estrutura efectivamente organizada na rua era o PC.

Exemplo disso foi que, no dia a seguir à difusão de um famoso documento de Aliança Povo-MFA aprovado na Assembleia do MFA, e que consagrava um progressivo aumento de peso de estruturas populares organizadas ( Comissões de Trabalhadores, Comissões de Moradores … ) a estrutura do PC do Norte organizou-se e movimentou-se junto das populações e, de um momento para o outro, surgiram 200 Comissões de Moradores na área de Gondomar, que dominaram completamente a estrutura mais global que representação popular do Grande Porto.

Ingénuo o macaco a pensar que podia comer o elefante so por estar sentado em cima dele …..

Por outro lado, ao fazer isto, a Esquerda Revolucionária afastou-se do Grupo dos Nove e não foi capaz de perceber que, ao faze-lo, facilitava a instrumentalização desse grupo por toda a direita unida. Dentro deste grupo havia muitas facções, a mais interessante e importante das quais era a liderada por Melo Antunes, inquestionavelmente um homem de esquerda com muitas ligações à Maria de Lurdes Pintassilgo e que defendia uma via Terceiro-mundista aproveitando as ligações de Portugal a África. Lamentavelmente a esquerda , muito por culpa do PC, não o soube aproveitar.

Enfim … muito havia para dizer sobre este assunto e haverá concerteza opiniões diversas das minhas. Achei interessante po-las aqui para que o pessoal mais novo se vá apercebendo de algumas histórias loucas desse tempo.

È verdade o que o Nando diz sobre o comprometimento da actual geração no poder com estes acontecimentos.

Na altura eu era militante activo do MES. Era a carne para canhão de outros objectivos e, como qq puto de 18 anos, atirei-me a essa tarefa cheio de idealismo e generosidade. Confesso que adorei aquela época. Não a trocava por nada .. Nunca fiz tantas directas seguidas e nunca a adrenalina subiu tão alto …

O MES era conhecido por ser o Partido dos Intelectuais. Faziam umas análises, escreviam uns comunicados muito bem redigidos .. eram inofensivos. Infelizmente o MES começou a tentar ser igual aos outros e aí .. ficou demasiado parecido com a UDP e deixou de fazer sentido. Ferro Rodrigues, Alberto Martins, Augusto Mateus, António Barreto ( numa fase inicial ), Celso Cruzeiro, até Jorge Sampaio e Joao Cravinho ( esteve só no movimento de criação e saiu na primeira cisão ), Teotónio Pereira , todos actualmente figuras importantes do PS, por lá passaram …..

O Bacalhau está a ressurgir aos poucos … Como ninguém se pronunciou vou mesmo alarga-lo a outro pessoal.

Para já vai seguir convite para o Xico Rangel e para o Chico Fialho …( Quem sabe não terão uma visão bem diferente do Verão Quente ) e também para a amiga da João que já mandou uma posta interessante num comentário

sábado, 8 de setembro de 2007

Coisas do passado do presente e do futuro



Estava eu em mais uma tarde de pesquisa dentro do meu novo projecto (um estudo critico e factual sobre os i
mpérios ibéricos), e encontrei-me perdido nos arquivos digitalizados da biblioteca Nacional. Já me espantara no passado recente com o excelente trabalho e sentido pragmático dos pessoal dos arquivos da torre do tombe, que em muito me tem ajudado a conduzir a pesquisa. Afinal de contas nem todos os serviços públicos se ficam pela mediocridade.

A biblioteca Nacional tem uma secção dedicada ao 25 de Abril, com artigos de jornais, panfletos, comunicados, etc...no entanto o que mais me agradou foi a secção de autocolantes distribuídos em tal conturbado e agitado período da nossa historia. No meio dos autocolantes encontrei estes bilhetes do eléctrico de Lisboa em 1975, por mérito próprio, uma relíquia histórica.

Dei comigo a pensar sobre o caminho que um pais percorre de um bilhete destes a um passe andante moderno.

Pode parecer algo trivial, no entanto sempre me pareceu que uma terra se define pelos pequenos detalhes, principalmente aqueles pormenores que só o mais atento se apercebe, tão inspiradores como inconvenientes.

Os bilhetes de 75 são um reflexo de um Portugal confuso sem duvida, mas também ambicioso, corajoso e mais importante optimista em relação ao seu presente e futuro, sem nunca querer esquecer o passado.




Os modernos passes andante do metro do Porto são o reflexo do Portugal moderno, confuso sem duvida, mas também sem opinião, deprimido, apático e exteril como os bilhetes.

George Orwell escreveu: “Quem controla o presente, controla o passado. Quem controla o passado controla o futuro.”

A revolução de Abril não foi mais que um golpe de estado militar, com os seus inevitáveis defeitos e virtudes. Falhou em muitos pontos, de tal forma que deixou de ter relevância na quotidiano “moderno”. Olhando para os bilhetes também e difícil não lembrar que embora limitada, também foi uma mutação que transformou radicalmente as relações sociais, económicas, religiosas e politicas. Foi uma mutação que pôs fim a 13 anos de guerra colonial e a 5 séculos de domínio, por vezes barbárico, imperial sobre uma série de civilizações coloniais.

O raciocínio lógico e matreiro, já que nos poderá levar a pensar que uma geração que passou pelo estado novo; pela transformação da nação (de império a pequeno estado); pelo regresso de milhões de retornados; com um banco de Portugal falido; fosse uma geração naturalmente optimista, corajosa e ambiciosa. Curiosamente a condição mudou quando os novos lideres dessa mesma geração chegaram ao poder.

Parece-me a mim que essa geração cometeu um erro fulcral. Esqueceu-se do passado. Tenha sido por euforia, negligencia ou ate mesmo necessidade, não deixa de ser um erro.

Sempre me fez muita confusão o desaparecimento dos murais de Lisboa, a transformação da sede da PIDE em apartamentos de luxo, a falta de símbolos históricos de um período que define a nossa condição actual como nenhum outro.

Muito pelo contrario, hoje em dia vota-se num Salazar para o maior Português de sempre, hoje em dia renasce a nova frente nacional (PNR) que com certa habilidade ultrapassou os obstáculos legais dum estado profundamente em ruínas.

Aqueles que controlam o presente, passaram a controlar o passado. Destruíram-no, e com ele destruíram o optimismo, a ambição e a coragem. O futuro e algo deprimente sem duvida.

Talvez seja altura de olhar para trás com novos olhos. não de uma forma dogmaticamente nostálgica como a da esquerda tradicional, nem da forma cínica da nova direita. Afinal de contas a única utilidade da historia e mesmo para que nos momentos mais difíceis se olhe para trás e se encontre alguma inspiração, alguma lição, algum exemplo, alguma alternativa, ou ate mesmo alguma solução.

Se calhar esta na hora de escrever mensagens por detrás dos passes andantes, qualquer coisa como: “Vai correr tudo bem se fizermos por isso.”

quinta-feira, 26 de julho de 2007

Pais de perna aberta ....


Ora aqui vai um assunto que há muito gostava de lançar aqui e que me vai preocupando.

O Zé Borges, o baixinho, diz que nós ( o resto da COMORG ) somos ‘pais de perna aberta’ . Não é que ele as tenha muito fechadas mas acho que é uma forma de se referir a uma forma de educar que pegou muito moda depois do 25 de Abril …

A forma como nós ( os kotas actuais ) se relaciona com os seus filhos, os tentou educar , é imensamente diferente com o que aconteceu entre nós e os nossos pais. O conflito de gerações está longe de ser tão evidente. Não há tanta diferença relativamente a questões políticas, ou sexuais, ou de forma de ver os problemas gerais do mundo actual. Atrever-me-ia até a dizer que, em alguns casos, haverá até kotas com ideias mais ‘avançadas’ que os respectivos progenitores …

Mas enfim, não é bem isso que eu gostava de ver falado aqui .. O que eu gostava era que a jubentude que por aqui anda desse a sua opinião sobre a forma como se relaciona com os papás. Se acha que somos demasiado severos . ou demasiado liberais …

Eu sempre me guiei pelo principio de que o Gonçalo e a Maria eram capazes de assumir a responsabilidade dos seus actos e , principalmente a partir de determinada idade, achei que eram eles que deveriam definir as suas vidas, quer nas coisas mais pequenas como seja a hora de deitar, ou se deviam ou não ir tomar um café a Espinho, quer em relação a decisões masi importantes como seja o evoluir dos estudos deles ou os planos de vida deles.

Quando era novo fartei-me de ‘mentir’ aos avós. Umas vezes por boas causas, outras por causas menos boas, o certo é que foi a forma que encontrei de dar a volta as questões e conseguir fazer o que queria realmente fazer. Havia assuntos em que não era possível o entendimento e achava que o melhor era nem sequer falar, esconde-los e seguir em frente.

Gostava de falar mais com o Gonçalo e a Maria e gostava que eles falassem mais comigo. Vendo de longe acho que também gostaria de ter falado mais com o Avô. Por incrível que pareça foi depois de já ter a minha vida encaminhada, já estar fora de casa que fui falando mais com ele.

Sempre achei que a confiança ( e orgulho ) que nós depositávamos no Gonçalo e a Maria deveria ter da parte deles uma resposta semelhante, isto é, confiança em nós e tb orgulho em nós. Nem sempre as coisas são fáceis. Nem sempre falar e transmitir é fácil mas, apesar de tudo, apesar das dificuldades e das incertezas de cada um, das angustias em relação ao futuro, acho que seria sempre um Pai de perna aberta … lol ….

Contem coisas … arrasem-nos …. Sei que é um tema … complicado .. mas …

quarta-feira, 25 de julho de 2007

“não estamos preparados para o mundo ou o mundo não esta preparado para nos!"

O baixo astral vai se propagando a passos gigantes dentro do meio Brasquez (mesmo que seja um baixo astral algo irónico e metafórico), por isso, e respondendo aos vários apelos da minha irmã, vejo-me obrigado a partilhar uma linhas sobre o assunto.

Tomo a ousadia de fazer um copy paste da mensagem da joão...duma frase que me pareceu ser chave. Somos nos que não estamos preparados para o mundo ou será o mundo que não esta preparado para nos?

A resposta, tendo em conta, em particular, a minha experiência nos últimos 2 anos (pos-carreira académica) e claramente “o mundo não esta preparado para nos”. Eu estou preparadíssimo, sei exactamente o que quero, para onde vou. Ate tenho os diplomas que me tinham dito que eram tão importantes. O mundo e confuso e contraditório por natureza. Nos vamos crescendo dia a dia descobrindo novas mentiras ou meias verdades. Desmascarando mentirosos e cúmplices. No entanto o resultado e sempre ambíguo.

Começando pela mentira que todo o pai passa para filho(nos cometeremos o mesmo erro, faz parte de ser pai)...”Filho, quando cresceres podes ser o que quiseres”. Infelizmente não e bem assim. Principalmente nos dias de hoje. Criou-se, ninguém sabe muito bem como, a ideia de que hoje em dia existem mais alternativas de trabalho como nunca existiu no passado. Eu pessoalmente não as encontro. Só há trabalho para vendedores...o novo grito de guerra e vender, vender, vender. Em todas as áreas....Direito, medicina, artes, arquitectura, engenharia, media, etc...

O problema e quando o filho diz ao pai...”pai, mas eu não quero ser vendedor”.

O precipício entre as alternativas académicas e alternativas profissionais e gigante, e muito difícil atravessar. Existem umas pontes, um bocado escondidas, degradadas, sempre muito perto de desabar a qualquer momento. Quem as tenta atravessar encontra todo o tipo de obstáculos, dificuldades e sacrifícios. Os poucos que conseguiram chegar ao lado de lá colhem frutos frescos que simplesmente não existem no lado de cá. Suponho que compete a cada nova geração manter e multiplicar essas pontes. Pessoalmente não o tenho conseguido fazer com grande sucesso, por isso vou-me agarrado as pequenas vitorias.

E tão fácil cair naquele ciclo vicioso da segurança que vai destruindo as ditas pontes. Tantos de nos caiem nessa asneira, dificultando a nossa existência, e a dos nossos futuros filhos.

Quando acabei os vários estágios que tive a sorte de arranjar encontrei-me numa posição difícil. Continuo ou espero um tempo para alcançar alguma estabilidade e depois prossigo a travessia? Infelizmente optei pela segunda. Encontrei um emprego que me parecia estável e agradável (new internationslist). Deixei a carreira que ambicionava em standby. O emprego acabou prematuramente (não por culpa própria, a companhia foi a falência) e continuo em standby. Moral da historia? A que aproveitar aquelas oportunidades que vão aparecendo esporadicamente e reagir rapidamente. Será que vou perder tempo que não devia perder? O lado positivo dos dias de hoje e que o tempo e a idade são algo irrelevantes, já que se pode ser vendedor aos 20 ou aos 60 (afinal de contas quer se aceite ou não, vamos acabar todos a trabalhar ate ao 70).

Resumindo, a que procurar coragem onde as vezes ela não abunda.

Maninha o único erro que cometes-te foi o de pensar que no estrangeiro as alternativas eram melhor. Existem outra alternativas(mas não mais) mas as armadilhas são as mesmas. A experiência fora de Portugal e enriquecedora apenas a nível pessoal e cultural. Nada mais.

Quanto a mim...acho que estou a meio da ponte, ou pelo menos lá estou em espírito. Vem lá ter comigo.

Aquele abraço

El nando

Ps- A situação não esta assim tão mal, pelo contrario.

A caminho da pré-reforma ....

Então .. agora sou eu que desabafo ….

O que todos vocês, mais novos, andam a passar neste momento todos nós , mais kotas, já passamos e alguns ainda por lá continuam. O importante é não deixar de procurar, não se acomodar a situações que não valem nada … Acho que já disse isto mas, até agora eu tive 5 empregos … Comecei na Valentine a fazer um estágio e por lá fiquei 3 anos, passei para a Sogrape onde estava óptimo, tão bem que aquilo me encheu e decidi correr atrás de uma aventura que me levou bastantes dos imensos cabelos que na altura tinha. A Softel, durante 7 anos. Tudo era feito com objectivos mais ou menos bem definidos. Evolução profissional, evolução financeira ao lado da evolução familiar. Quando entrei p a Valentine, casei e tive a primeira casa em Santa Luzia, depois, quando mudei para a Softel, mudei também de casa para o andar na Aguda … Quando sai do Banco Universo comprado pelo BPI, aproveitei e garanti que conseguia , finalmente, chegar a uma casa que se aproximava do nosso ideal – Miramar. Pelo meio, na Softel e na Sonae, muitas desilusões também, muito ‘workoolic’ , muito tempo perdido mas, inevitavelmente, tinha de ser vivido para eu perceber que era perdido. O que se passa actualmente é que o trabalho não tem a estabilidade que tinha no nosso tempo, vocês tb saem mais tarde de casa, talvez porque se sentem mais livres do que nós nos sentíamos, as perspectivas são mais confusas, a oferta é muita, talvez demasiada, e confunde os objectivos que também são mais difíceis de definir.

Ao fim de quase 20 anos de aposta total e completa na carreira finalmente tive a sorte de … ser encostado. No principio custou imenso, passar de uma sobre-actividade para uma sub-actividade, deixar de ter peso na definição das estratégias .. nem sequer repararem em mim. Depois, descobri que era bom sair mais cedo, era óptimo ter mais stress em casa ao fim de semana do que durante a semana no trabalho. Mas .. tive de passar por esse percurso todo para o perceber e também tive a sorte de acabar no sítio certo para ser encostado .. lol ….

O emprego ideal não existe …as expectativas e anseios vão mudando à medida que crescemos e nos tornamos mais maduros .. ficamos diferentes e isso é normal e é bom …. existe o emprego que é ideal para o momento que vivemos que consegue responder aquilo que na altura precisamos e que nós conseguimos definir como sendo o nosso objectivo imediato, nem que seja , simplesmente e durante um período, ganhar dinheiro.
É preciso sorte para isso, muitas vezes estar no lugar certo no momento certo. Mas também é preciso procurar, não cai nem nunca cairá do céu.

Eu vejo o trabalho nos dias que correm como muito mais uma série de ‘biscates’, de oportunidades que se vão aproveitando. Muito menos seguro mas também , se calhar, muito mais aliciante e variado. A perspectiva das ‘artes’ é interessante nesse aspecto porque propícia muito isso. Acho que possibilita ir ganhando algum dinheiro e ir fazendo por fora aquilo que realmente se gosta.
O perigo é estabilizar cedo demais … desistir de procurar cedo demais ou até .. nem sequer chegar a procurar .. porque , simplesmente, não precisamos porque estamos bem , apaparicados em casa dos nossos pais …

Acho que me perdi um pouco mas isto vai mesmo assim para provocar confusão …

Beijossss e Abraços ….

quinta-feira, 19 de julho de 2007

A pedido da Joao...zinha .....

Pergunto-me como sera possivel que tao notavel iniciativa tenha ficado reduzida a uns geniais posts do patriarca convertido em aniversariante Luis, umas queixinhas minhas e pouco mais? O que e que se passa? Se o probleme e a falta de alguem deprimindo, revoltado e maldisposto com o dia a dia e com o trabalho em especial CE ESTOU EU para mudar isso!! Vamos la contribuir para que, pelo menos o meu Verao nao seja tao chato como se advinha ser. Eu sei que a maior parte de voces esta na praia, a curtir um solzinho, a beber uns copos, etc, mas ha quem tenha a infelicidade de estar parada, desmotivada, a pensar demasiado na vida (c demasiado tempo) e sem nada para fazer ( e a ser paga por isso, ih, ih!!!) – eu sei, eu sei estou-me a queicxar de bariga cheia!!

Posso sugerir uns temas, um deles sendo uma ideia que eu tive ha uns tempos (ate discuti isso c o meu pai) de a Ana (sim Ana, tenho uma ideia para ti para o bem da comunidade) escrever um livro sobre a "velha" e historica geracao do Porto. Falo dos avos, dos nossos, dos vossos, pessoas que eram tao diferentes, que viveram tempos tao diferentes mas que de uma certa maneira eram e sao tao evoluidos. Falo da Granja do Eca, do bridge, da devocao a Igreja/certas causas, da devocao e compromisso politico, das excentricidades, do Porto, da genialidade, do espririto e de uma certa "nobreza" na maniera de fazer as coisas. E que ja nao ha pessoais assim, nos ja somos demasiados moldados, aterrecados pela sociedade, ja nao nos deixaram ser o que queriamos mas o que tinhamos e deviamos ser, crescemos c menos liberdade apesar de sermos a primeira geracao da liberdade, enfim ja nao temos piada e acho que certas historias devial estar no papel discursos reais de gente real que infelizmente nao vai ficar por ca muito mais tempo. Ai esta um bom projecto Ana e tu serias a apessoa perfeita para o concretizar.

Ja que estamos numa de angustias e projectos, ha outro tema que eu gostava de abordar (este e capaz de criar menos consenso com as autoridades paternais e no meu caso, “Tiais”) e esse e o da caracteristica comum de todos nos (geracao primos) de um certo resiliencia e inconformidade com o que nos rodeia. Outro dia estive a falar com o Tiago sobre isto, olhando para a vida de nos os 11 (acho que fiz bem as contas, tirei o Chico/ Peter e Henry que tem outros problemas!!!) e nao querendo gazer disto praca publica (perdoem-me as indiscricoes) vejo-nos a todos um bocado a tua com a vida. Para comecar foram quase todos para artes, tirando eu, o Tiago e o Pedro Maria. O Tiago, deu as suas turras, passou 10 anos em Inglaterra, levantou-se, voltou a Portugal, acabou por ser tornar um homen de negocios (quem diria!!) mas sinto que ainda nao atingiu o que queria (nem sequer sabe bem o que quer mas sabe que quer qualquer coisa mais), eu nem se fala, sou a pior de todas (espero nao estar a dar um mau exemplo) mas ja mudei 500 vezes de emprego, pais e cada vez estou mais insatisfeita e perdida, o Pedrocas tb me parece que anda perdido ja ha uns tempos tal como a Ines, a propria Luisa , o Goncalo e a sua relacao controversa co o piano, etc!!!

Eu sei que isto sao fases da vida, que tudo passa, que casa um de nos vai encontrar o seu caminho mas as vezes acho que se falassemos e partilhasemos mais um bocado o que vai passsando pelas nossa cabecas podiamos talvez ajudarmo-nos uns aos outros – os insatisfeitos anonimos.

Nao pretendo estar aqui a expor ninguem, ate pelo contrario, estou saudavelmente a expor-me a mim a fim de vos mostarr que todos nos passamos por estas coisas (independentemente de idades, credos e profissoes) e que todos as vamos ultrapassar – so pode e haver maneira melhores de as ultrapassar. As vezes penso que nao estou preparada para isto que crescemos todos de uma maneira demasiada priviligeada (ate eu e o meu irmao com todas as cenas que os nossos queridos pais nos fizeram passar) e que pa, nao estamos perparadaos para o mundo ou que o mundo nao esta preparado para nos!

Bem, aqui fica a dica...talvez seja altura de eu e o meu Ruizinho voltarmos a terra mae, isto de viver no “estrangeiro” ja perdeu o seu glamour....ai esta mais um desafio e tema para discutir....”sera que esta historia de viver fora e ter outras oportunidade e tudo uma grande treta?

Bjs e abracos para todos e perdoam-me o baixo austral que ate nao esta assi tao baixo (ja esbocei uns sorrisos a escrever isto, por isso e que e bom escrever...mesmo c 500 erros e com uma Tia professora de Portugues a ler!!!)))

quarta-feira, 6 de junho de 2007

Renascido das cinzas ...

Depois de vários meses de inactividade , este blogue volta a atacar, pelo menos eu assim o pretendo. Não foi a minha intensa actividade profissional que me fez passar por estes meses de silêncio; também não foi a OPA que a OPUS GAY lançou sobre o BPI que limitou a minha veia inspiradora;e muito menos a ocupação nas vigilias nocturnas à porta da Igreja de Cedofeita com o objectivo de pressionar o Orlando ( aquele que é Padre que leva no cu de vez em quando ) e evitar que ele fugisse com o testamento da Tia Visitação; mesmo a fraca participação dos convidados não era suficiente para me fazer esmorecer; Foi talvez porque , muito simplesmente, não me apeteceu. E agora, apetece-me de novo, e espero que também apeteça a todos.

Talvez nos anos da João possamos falar em maneiras de tornar isto mais vivo.

Que saudades tenho do tempo em que o Tiago tinha um patrão em cima dele que o fazia acordar mal disposto.
Que saudades tenho daqueles mails infindáveis onde toda agente tinha algo a dizer, quanto mais não seja pedir para ser retirada da lista de distribuição.
Que saudades tenho do saudoso Fernando Alas, essa espécie de penso higiénico que em tempos nos trouxe um sorrisinho à nossa existência.
Que saudades dos debates do Chico Fialho com o Nuno ..e com o El Nando .. e com o que tinha uma namorada italiana boa e achava que em vez de estar no forum ocupava melhor o tempo se estivesse a fazer amor com ela ...... e com outros que tais ...

Penso que uma das formas será o alargar o blogue a outros que nos estão bem próximos, que nos são queridos mesmo estando longe, e que sabemos que têm coisas a ensinar-nos.
Lembrei-me dos Chicos ( Fialho e Rangel ), do Caiado ( desde que não lhe possibilitemos publicar fotografias ), dos restantes membros da COMORG ( Ze Maria e Zé Borges e respectivas senhoras).

Afinal, o Bacalhau à Brasquez tem sempre lugar para mais um.

Lembrei-me também de definir periodicamente temas para discussão, mas para isso é preciso mesmo discutir, deitar cá para fora o que nos vai na alma.

Pensei tornar o Blogue bi ou mesmo tri-linguae para facilitar as intervençoes da Pascale e da Ana ...

Pensei até em abrir uma secção hard para adultos de forma a prmover a participação dos elementos do sexo feminino que andam muito ausentes ( na verdade quase tanto como os do sexo masculino ).

Em desespero pensei que se todos fossemos trabalhar para o BPI talvez tivessemos engenho, arte e TEMPO para pensar em coisas úteis e passá-las para o papel ...

Enfim ... Pensem nisso e poderemos discutir para a semana nos anos da João. Resta saber se vão ler isto antes de 2ª feira ... lol

Abraços

segunda-feira, 12 de março de 2007

Discurso do pai da Pascale

Chère Pascale, cher Fernando

Depuis quelques jours déjà, je m’évertuais à trouver les inspirations d’ un petit mot à vous transmettre. L’âge, le début d’ Alzheimer rendaient la chose difficile et c’est Laurence qui m’a inspiré le thème de l’ Europe. Déesse mythique bien connue chevauchait un taureau – l’ Histoire ne précise pas s’il s’agissait d’un taureau espagnol ou portugais.

Et de fait, il en va de la réussite de votre mariage comme de la réalisation de l’Europe Unie...
Tout d’abord c’est difficile! Pour s’en convaincre il suffit de regarder un peu autour de soi. Les statistiques belges parlent de 3 divorces pour 4 mariages (cfr. La dernière edition de la OM). De même, chaque jour la lecture des journaux nous expose les difficultés rencontrées pour la realisation de cette “impossible” Europe!

La conséquence, c’est que cela exige beaucoup de compromis. Vous avez constaté que la gestion d’une Europe des 27 est problématique et pourtant, et vous le savez déjà, c’est encore bien plus difficile à deux!

De plus, c’est une entreprise de longue durée!

Combien d’années ont été nécessaires depuis la mise sur les fonts baptismaux de l’idée Europe par Robert Schuman il y a plus de 50 ans et la constitution actuelle de l’Europe de 27!
De la même manière, ce n’est pas en une journée que vous idéaliserez votre union. J’espère cependant que vous mettrez moins d’étapes que pour la constitution de l’Europe Unie.

Dans l’élaboration d’une Constitution Européenne, par Giscard d’Estaing et Delors, de nombreux référendums négatifs ont rendu la chose impossible à ce jour. Il faut cependant reconnaîitre que la Belgique et le Portugal ont été dans ces circonstances partenaires loyaux et volontaires (à moins que Fernando me contredise!). Je n’ai donc aucun doute, dans l’élaboration de votre projet de mariage, sachant que non seulement une Belge et un Portugais sont faits pour s’entendre et de plus tous deux de formation juridique.

Mais quel est donc le rôle de la Suisse visàvis de l’Europe Unie et ... du mariage... Ne l’oublions pas, Pascale a deux nationalités (Peut-être bientôt 3!). Si sa nationalité belge favorise une union avec un Portugais, comme je viens de le démontrer, il est certain que cette Neutralité qui caractérise, comme tout le monde sait, la Suisse, lui sera plus qu’utile dans ses relations conjugales. Qui dit neutralité dit forcément équilibre... N’est-ce pas Pascale?

Enfin et heureusement, des nouvelles favorables venant de l’Hexagone, nous apprennent que la Ségolène Royale est arrivée … et est bien décidée, au nom de la gauche caviar, à résoudre le problème de l’Europe, et tous les autres problèmes de cette pauvre France, quels qu’ils soient et d’où qu’ils viennent. Bien pauvre France!

De la même façon et grâce à notre Pascale nationale, légèremnt gauchiste et...Royale en toute chose, l’avenir de votre couple est également assuré.

Deux remarques avant de terminer:
Tout d’abord, concernant la multiplication de pays au sein de l’Europe, c’est comme la multiplication des pains, et pratiquement tous les 6 mois, un nouveau pays s’ajoute à une liste déjà longue, sans compter les nombreux pays encore en gestation.

Vous voyez où je veux en venir! Comme nous en a fait la preuve récemment, une espagnole (et non une portugaise) de 67 ans qui a mis au monde un ravissant bébé, comme quoi la conception est possible à tout âge.

Forts de cet exemple, je vous mets en garde, tout de même, devant un principe de multiplication qui pourrait devenir pléthorique et incontrôlable.

Ensuite, une considération sportive.

Si le Portugal reste footbalistiquement redoutable, je n’ai aucun doute que Fernando sera le gagnant qui assurera la victoire de votre Union.

Mais, mon cher Fernando, la très prochaine confrontation de foot entre la Belgique et le Portugal pour la qualification à l’Europe risque d’être très chaude! J’espère que pour cette soirée qui sera torride, Pascale, grâce à la diplomatie légendaire arborera une casquette suisse, ce qui aura l’avantage d’éviter un conflit qui serait regrettable.

Vive la Belgique, vive le Portugal et vive la Suisse!

Longue vie à l’Europe Unie et à votre mariage!

Le Père

terça-feira, 6 de março de 2007

Crónica de uma viagem aciganada - Cap. II

Capitulo II – No Centro galego

O passeio de fim de tarde foi relaxante. Com o Zé Manel a comandar, o Guilherme e a Teresa procurando identificar nos mapas as ruas por onde passavam, a Margarida saltitando com um andar hesitante, talvez fruto do efeito 4horas e meia-Sansonite, eu e a Teresa procurando acompanhar a passada ritmada do grupo.

Um bairro engraçado, multi-color e multi-racial, cheio de pequenas mercearias, da cafés de origem duvidosa e de umas lojas pitorescas com uma secretária à entrada e um correr de pequenas portas de acesso a umas cabines que tanto podiam aparentavam poder ser utilizadas para fins muito diversos – desde uma simples chamada telefónica, passando por um momento de recato mais íntimo. Ainda pedi uma moedinha à Teresa mas ela imediatamente me respondeu num francês puríssimo …”Désolée …”

Dez km mais à frente, Ze Manel, que entretanto tinha tomado a dianteira de uma forma decisiva, estaca num cruzamento e começa a gesticular furiosamente enquanto olhava para cima. Corremos ao seu encontro e depara-se-nos uma rua estreita rodeada de casas antigas de 4 ou 5 andares, relativamente bem conservadas, em que predominava o estilo arte-deco.
Guilherme e Teresa comparavam os seus apontamentos com a visão das janelas e seus vitrais e com as pequenas varandas que as engalanavam. Zé Manel, boquiaberto e de careca a brilhar, estava fascinado. Seguimos caminho de regresso a casa da Pascale onde encontramos uma algazarra à porta. Era o grupo de Diniz que tinha acabado de chegar e procurava definir o que iriam fazer a seguir. O Diniz propunha um museusito antes do jantar, o Zé Luis preferia provar 12 ou até 14 das 600 variedades da famosa cervejinha belga, a Tuxa olhava nervosamente para a Rita como quem pensa “Será que o soutien dela me vai servir …?”, a Carminho , olhando de soslaio para os marroquinos e argelinos que passavam na rua vestidos com túnicas compridas pensava em como convencer o A. Maria a comprar uma igual. Este perguntava ao Fernando, que estava à porta, se havia alguma mesa de jogo desocupada … A Rita , pensativa, reflectia …”Não lhe vai servir de certeza …..”

Quando chegamos, o ZManel tomou a iniciativa imediatamente e propôs que fossemos dar mais uma voltinha … Pedi que esperassem porque precisava de ir ao WC … Entrei e o Fernando disse-me para não usar o da cave para não acordar o João e para ir ao do 1º andar … Somente 100 degraus … concordei … Cheguei ao 1º andar .. azar … Wc ocupado … nada a fazer senão subir e descer mais 333 degrauzitos ..( acumulado = 1299 ) e ir ao do 3º. Apertadinho como estava voei pela escada e lá me aliviei como pude … Estas escadinhas estavam a dar-me cabo das rótulas ….
Quando regressei à entrada já não estava ninguém … Ainda consegui vê-los a dobrar a esquina em passo muito acelarado, desaparecendo do meu campo de visão. Encontrei-os meia hora mais tarde, na rua das casas Arte-Deco, especados a olhar para as janelinhas e varandas que tanto fascinaram o Ze Manel. A custo tirei-os de lá e regressamos a casa da Pascale.

Instalamo-nos na sala afundando-nos no sofá. Zé Manel fala com a Pascale sobre a rua cheia de casas antigas de tipo Arte-Deco e fica informado que a dita rua terá sido comprada por um escritor francês famoso traumatizado com o que passou na Guerra. Mais um ponto de interesse, pensa o Zé Manel. Gostava de ver novamente as casas, agora com esta perspectiva.
Por baixo de nós, na cave, o Joao dormia, insensível ao barulho que fazíamos na sala .. De vez em quando uns gemidos roucos mais fortes abalavam o chão de madeira da sala.

Fui espreitar à cave e, apesar da luz difusa, o espectáculo era digno de se ver. O Joao decidira desfazer a mala. 8 pares de sapatinhos de verniz adornado com uns berloques amaricados espreitavam por baixo do sofá. Em cima deste, numa mistura que tinha tanto de confusa como de explosiva, enrodilhavam-se 7 pares de cuecas, 8 boxers, 3 com ursinhos vermelhos e 5 com coelhos azuis, 18 pares de meias verdes, 4 gravatas e 6 lenços de pescoço a condizer .. com as boxers. Meio escondido debaixo da almofada pareceu-me ver umas rendinhas de um soutien .. roxo …. Joao arfava procurando retirar os 5 pares de calças do fundo da mala. As 16 camisas estavam convenientemente penduradas no candeeiro.

Eram quase 19h, o jantar marcado para as 20h, era altura de nos prepararmos. Ponderando os pós e contras de tomar um banho retemperador lá me decidi a subir e descer os 433 degraus ( Acum = 1723 ) que me separavam do Quarto de Banho. A verdade é que a potência do chuveiro e a qualidade da água quente compensou o esforço.

Chegado ao R/C estavam todos à porta prontos para partir. Estranhei o sorrisinho malandro que tinham estampado na cara.

“Oh Luis, vai-me buscar o casaco que está no quarto “, diz a Teresa , passando-me a mão pelo pêlo .. e …. o acumulado passou para 2156 …. De regresso já me apetecia tomar banho outra vez e segui atrás do grupo ainda a tempo de evitar que o Ze Manel nos conduzisse para a rua cheia de casas antigas de tipo Arte-Deco comprada por um escritor francês famoso traumatizado com o que passou na Guerra.

À porta do restaurante o Ze Manel Pestana e a Kika esperavam-nos à porta. Entramos e a juventude já estava instalada olhando avidamente para o menu. Acompanhei a conversa entre o dono do restaurante e a Pascale e o Fernando. O dono começou por me parecer flamengo, depois pensei que fosse Belga ou até Francês, finalmente percebi que era um brasileiro que, por ter vivido 3 semanas no Minho, tinha muita experiência na comida Galega

Lá nos sentamos convictos da escolha correcta ( a juventude alinhou quase toda pelo Borrego – a pensar no arroz, os mais maduros, com um superior conhecimento das coisas da vida, optaram pela Paella, que tinha o arroz garantido ), a beber um branquinho fresco e uns aperitivos que desapareceram rapidamente.

No fim dos aperitivos fui com o Tiago e o Ruizinho buscar a Joao à Estação do Midi. O Zé Manel, sempre activo, sugeria-nos que no caminho passássemos pela rua cheia de casas antigas de tipo Arte-Deco comprada por um escritor francês famoso traumatizado com o que passou na Guerra.

Em passo rápido , porque a fome apertava, chegamos a estação a tempo de ver a Joao a falar ao telemóvel, desligando-o quando nos viu …. Muitos beijos e abraços e a Joao diz que o Zé Manel lhe telefonou a dizer para, no regresso para o restaurante, passássemos pela rua cheia de casas antigas de tipo Arte-Deco comprada por um escritor francês famoso traumatizado com o que passou na Guerra.

Regressamos aidna a tempo de. No caminho, entrar num restaurante tuga a ver quanto estava o jogo do glorioso FCPorto. Tudo sob controlo ….

No restaurante, a confusão instalara-se …. Uma pequena amostra do que iria ser uma minúscula bola de neve transformada em avalancha que iria abalar o dia a dia dos brochelenses. Os maduros, sentados, comiam calma e alarvemente a paella .. a juventude, de pé, olhava incrédula para os pratos colocados na mesa e, apreciando o pedaço de carne que jazia no seu centro, lamentava-se pelas 5 batatas … palha que o rodeavam. Pior que isso, arroz … nem vê-lo …. A chegada da João foi determinante para acalmar os ânimos dos primos mais novos. Usando o seu poder natural de persuasão, e com a promessa que no dia seguinte ao jantar se desforrariam no arroz do casamento, lá os convenceu que uma batalha perdida, por vezes, é o custo de uma vitória na guerra. Para desanuviar foram todos para a Sala de Chuto …

O regresso a casa foi feito calmamente a digerir a paella. Mais uma vez, Ze Manel à frente. Simulando perder-se no labirinto de ruas e ciente que todos o seguiríamos fomos dar com ele ( e connosco ) a observar as casas antigas de tipo Arte-Deco da rua comprada por um escritor francês famoso traumatizado com o que passou na Guerra.

“Nunca as tinha visto de noite ..” , disse ele para se justificar … Finalmente chegamos a casa da Pascale. Logo que entramos, o Joao diz que está cheio de sono e, olhando de soslaio para o par Teresa-Guilherme, diz que vai indo para a cama. Jubilando, Teresa diz “ Oh Guilherme, vai lavar os dentinhos …. A noite vai ser longa e amanhã há muito que andar ..”

Atento, o correcto Cruz imediatamente protestou.

“Mas , porque é que é a Teresa-Guilherme que ficam na cave …? .. Porque não somos nós, que viemos por Frankfurt e conhecemos o João há mais tempo?….” A muito custo o Fernando conseguiu acalmá-lo, com a promessa de, na última noite, lhe assegurar que o João ficaria no quarto dele …

A ascensão para o quarto foi penosa ( Acumul = 2589 ) mas, por fim, lá nos deitamos na cama confortável.

A manhã acordou soalheira e fomos recebidos na cozinha por baguettes revigorantes. O casamento civil era às 11h. Zé Manel, nervoso mas com o tradicional bom humor matinal, convencia a Margarida, também de bom humor, que era preciso saírem às 9h sem falta porque ainda precisava passar por um certo sítio.

O registo civil foi um sucesso. O primeiro contacto com a família e amigos da Pascale foi um êxito, pela simpatia que revelaram e pela paciência que demonstraram na compreensão do nosso francês. Particularmente o pai da Pascale ainda agora deve estar para perceber o que é que o Zé Manel queria dizer quando lhe confidenciava:

“ Est ce que vous connaissez , tout prés de la maison de Pascale, une rue pleine de maisons anciennes du type Arte-Deco , qui a été achetée par un fameuse poète français traumatisée avec lá guerre? »

Começamos por nos juntar no átrio de entrada fazendo duas filas para a saída de um casal gay que acabava de dar o nó. O milho voou sob as nossas cabeças projectando-se sobre o feliz par que, aos gritinhos, corria pelas escadas de mão dada. Encostados à parede, um pouco afastados da cena e com ar sonhador, Teresa-Guilherme e João contemplavam o feliz idílio com um misto de inveja e esperança que, em Portugal, os casamentos de trios chegassem rapidamente.

Uma sala deslumbrante pela sua beleza e pelo conteúdo histórico, uma juíza, madura mas bem tratada, enfaixada de dourado, e que foi objecto de olhares a roçar o libidinoso por parte de outros maduros presentes, nem todos tão bem tratados.

Ao som da música de Vangellis, Pascale e Fernando comandavam o cortejo que entrava na sala. Ele, qual Gueterres a dar entrada no Coliseu dos Recreios de Lisboa, ela consciente e determinada no passo que ia dar.

A cerimónia foi simples, mas bonita. Um pequenino incidente, no entanto, ameaçou a sua parte final. À saída, como é tradicional, os noivos foram bombardeados com arroz de qualidades variadas. Desde o luxuoso e exótico Basmatti, até ao normal Carolino-Agulha, passando pelo mais ordinário Arroz Trinca tudo voou sobre o casal. Ao primeiro arremesso um bruááá surgiu do lado da juventude que assistia calmamente ao desenrolar da cena. Alguma agitação dos mais novos, um esboço de protesto pelo desperdício de tão nobre acompanhamento, um grito rouco ao fundo … “ Isso é pérolas a porcos .!!!” e , mais uma vez a diplomacia da Joao a funcionar como tampão da juventude imberbe e revoltada, apesar de não ter conseguido impedir uma invasão , e posterior expulsão, dessa juventude irreverente de um Restaurante próximo.

Cumprindo antigos rituais da Igreja do Santíssimo Sacramento, a Lena, o Xico Rangel e o Xico Fialho apresentaram-se atempadamente ao Santo Sacrifício da Saída. Para alguns, a tradição mantém-se um valor inquestionável … BEM HAJAM ….

A tarde passei-a com a Teresa a ajudar a Joao a controlar os ímpetos dos mais novos. Gastamos energias a andar a pé, exorcizando a raiva e a fome de arroz numas Pitas Gregas, bem próximo da Grande Place.

O fim de tarde pôs-se serenamente e nada faria prever os acontecimentos que se viriam a seguir ….

Próximo Capítulo: Match Point no Clube de Thénis ….

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007

Crónica de uma viagem aciganada - Cap. I

CAPITULO I – Dos céus da Ibéria até à Europa Flamenga


Passada uma semana ainda se notam em Bruxales os efeitos de um fim de semana marcado por acontecimentos agitados para os lados da Estação do Midi.

Isso mesmo é comprovado pela extracto da notícia que se pode ler no jornal de bairro ( pelo francês macarrónico supomos tratar-se de um periódico das comunidades portuguesas ) que, no seu editorial de ontem, destacava :

« … les reflexes de cette invasion dans le quotidien calme de notre quartier ont eu leur climax quand les portes et les fenêtres des restaurants se sont fermées précocement et les habitants tremblaientt en écoutant les cris qui entendaientt au fond :

« We want rice … nous voulons du riz … »

La turbe, arrivée de différents quartiers de Brussels, s'est concentrée à la porte du Centre Galego et son lider (arrivée du Paquistao la semaine dernière) a parlé aux manifestants ….

Quelques moments plus tard, la turbe hululant augmentait le niveau politique de sa contestation en criant :

We want pitas …. Bamos comer pitas …

Avec une capacité organisatrice que l' on voit rarement à Brussels, des CPMPAR – Comité pour Manger Pitas Avec Riz - s'organisent par tout. Une structure de coordination, de niveau supérieur, s'établit pour commander les négociations – CCPPPPR – Comission de Coordination des Pitas Pour Portugais Plus Riz ….».

E o jornal continuava a sua descrição dos acontecimentos. Quis a sorte que nós próprios estivéssemos envolvidos no cerne das ocorrências podendo assim fornecer uma versão imparcial e nacional do que se passou. Tentaremos fazê-lo por capítulos de forma a não massacrar os eventuais leitores.

Tudo terá começado umas semanas antes quando vários portugueses, espalhados pelos 4 cantos da Europa, receberam convites para o casamento do Fernando e da Pascale . Imediatamente uma máquina infernal começou a planear a operação. Coordenados pelo Centro de Informação e Documentação do Zé Manel, a troca de mails foi intensa e apaixonada. Organizaram-se grupos, alugaram-se carros, bloquearam-se os penetras, planeou-se a indispensável dieta nos dias anteriores, programou-se o encaixe e a eventual troca de casais em casas de Bruxelas.

Foi atribuído um nome de código para a operação – Todos a Brochelas – fundamental para elevar o moral das tropas e manter um nível de concentração imprescindível para um correcto desenrolar das actividades.

Sexta-feira, dia 16, eles começaram a partir.

- de Miramar/Aldoar ( grupo em que me infiltrei) , e via Valladolid, um grupo de 6 Vasquez ( Zé Manel, Margarida, Ana, Teresa, Luis, Maria ), alugou uma carrinha com condutor que, por ser o João Batata, ficou de graça. A saída deu-se por volta da 1h da manhã de 6ª feira, o Joao ao volante coadjuvado pela Margarida que, soltando gemidos intermédios entre o prazer e a dor, ia aconchegando uma Sansonite entre as pernas, enquanto transmitia orientações ao seu piloto. Os 'Aiii João .. por aí não !!" sugerem interpretações diferentes, as mais libidinosas das quais aponta para uma absurda fixação e interacção entre a já referida Sansonite e um amor incompreendido da sua adolescência.
A chegada a Bruxelas deu-se por volta das 13,30h da tarde, frescos como alfaces de Bruxelas e prontos para tudo. A excitação era enorme face à perspectiva de, pela primeira vez, sentirem o gozo de andarem na famosa Nabette. Em frente do tapete rolante esperavam ansiosamente a chegada das malas. A Margarida, particularmente, não tirava os olhos da portinha de entrada das malas ansiosa por, de novo, poder carregar a Sansonite que tão ternamente se lhe alojou entre as pernas durante toda a viagem. O João, nariz no ar, estava atento às movimentações das meninas, sempre pronto a ajudar qualquer dificuldade linguística. A adrenalina no pico esvaiu-se em quase nada quando, ao passarem a porta do aeroporto, viram ao fundo a empolgante traseira da poderosa Nabette a roncar em direcção ao centro da cidade … Tão perto do paraíso e, praticamente, a morte na praia … Acabaram por chegar à Gare do Midi por volta das 15h onde os aguardavam o Tiago e a Benedita.

- do Campo Alegre, a família Cruz andava empolgada com a perspectiva de, via Frankfurt, e recorrendo ao aluguer de um carro sem o Joao incluído mas substituído por uma poderosa e sensual GPS, efectuar a viagem em calma e segurança. Sentando-se ao volante do carro alugado, o correcto Cruz estremeceu e sentiu um arrepio na espinha quando ouviu uma voz sensual feminina desejar-lhe uma boa viagem …. Virou-se para a Teresa e resmungou …

.." Que merda é esta .. uma gaja a dar-me ordens .. Vamos ter bRIGA .."

Ao ouvir isto a sensual GPS começa a debitar ordens como se fosse a minha filha Maria no banco de trás do meu carro … Vira para ali … agora para acolá … Acossado por todos os lados ( a Luisa atrás dizia …"Oh Pai .. faz o que ela diz …" ) Pedro hesita , balbucia, e finalmente, derrotado .. segue as instruções … Três horas mais tarde vê uma placa que assinala a chegada a … Riga … Polónia .. um pouco mais a Leste … um pouco mais a Norte … 8 horas depois chegou finalmente a Bruxelas … cansado .. mas … de consciência tranquila e sapiente de que quem mandava naquele carro alugado sem Joao mas com uma sensual GPS a debitar orientações ….. era ELE …

- Outro grupo animado parte também do Porto, em avião directo para Bruxelas .. outro nível e a certeza que nenhuma mala iria ficar em Valladolid, esquecida a um canto da sala de embarque … Um grupo homogéneo … Logo a caminho do aeroporto o Diniz queria parar no Museu Soares dos Reis para adaptar a mente ao banho de cultura que Bruxelas lhes iria proporcionar … A muito custo o António Maria lá o convenceu que poderiam ir ao Soares dos Reis quando regressassem de Bruxelas … A Carminho, ao lado, pontapeava quase violentamente o A .Maria insistindo para que fossem ao Museu, porque ela tinha umas comprinhas de ultima hora a fazer numa sex-shop que tinha acabado de abrir e oferecia promoções de mãozinhas de tipo G por um preço irrecusável …. Ouvindo isto, o Zé Luis ofereceu-se para fazer companhia à Carminho e pelo caminho ainda bebia 2 ou 3 bejocas, porque o bacalhau do almoço estava muito salgado …. A viagem de avião decorreu normalmente, não fosse, à chegada, uma Sansonite do tipo da que a Margarida afagou suavemente entre as coxas durante 458 km, não tivesse, sem explicação possível ter seguido caminho para Riga, onde ainda se cruzou com a família Cruz que viajava em sentido inverso.
A Tucha ficou a saber porque motivo uma Sansonite, por maior que seja, fica melhor e mais segura entre as coxas de uma mulher precavida do que no escuro de um porão de um avião, mesmo que da TAP. Ao fim de 3 horas de nos esfregarmos no chão do palco do casamento do Fernando .. ninguém notou a diferença …..

- Do Paquistão, onde foi inaugurar uma fábrica de pastilhas elásticas, chegou o Tiago … Provocador como sempre e sedento de ver pele de mulher à vista desarmada e sem ter de recorrer a artefactos de complexa tecnicidade. Farto de burgas e véus e coisas do género, não olhava a idades para alcançar os fins a que se propunha. Pelas suas mãos iriam passar, deslizar … e até voar algumas das maduras mais maduras mas mesmo maduras da festa do casamento de Sábado… lá chegaremos ….

- A meio da tarde de sexta chegou o Ruizinho de Londres, sempre atento e cauteloso em relação aos ambientes que a sua amada João, deve frequentar.. vindo à frente para preparar o caminho. A Joao chegaria só de noite.

- Também a meio da tarde chegou o Guilherme Cremalheira e a Teresa Mano carregados de plantas de casas de arquitectos já mortos e enterrados que queriam visitar.

- Desde o dia anterior já estavam instalados em Bruxelas o Fernandinho e Naomie encarregados de preparar o Apartamento do Fernando para receber os jovens e alguns até imberbes. Para tal já estavam aprovisionados 44 CD's de filmes pornográficos, de estilos diferenciados, 894 Pizzas light, 30 grades de cerveja convenientemente disfarçadas para não serem reconhecidas pelo olfacto ultra-sensivel do Zé Luís, 8 bonecas insufláveis e 9 bonecos do mesmo género, um deles assumidamente gay, 4 Kg de erva da melhor qualidade e 56 pacotes de mortalhas não poluentes. Para uma emergência, e não fosse o diabo tecê-las, 80kg de Arroz Agulha Carolino …

- Também desde o dia anterior estava em Bruxelas, luxuosamente instalado num hotel do Sablon, o Zé Manel Pestana e Kika Fadista .. Depois de partir as camas de 4 camas por insistir em testar a sua resistência atirando-se para cima delas, finalmente arranjou um quarto em que a cama tremelicou mas …. resistiu

A chegada a Casa da Pascale do grupo de Miramar-Aldoar decorreu no melhor estilo. O pequeno lanço de escadas que se esconde por detrás da porta de entrada foi transposto como se um pequenino degrau se tratasse, isto tudo apesar do peso das malas, nomeadamente a do Joao, carregada de roupa interior de homem e de mulher até de alguma lingerie uni-sexo. O chamariz do almoço frugal que nos estava prometido também foi um incentivo que nos deu alguma energia suplementar. A fome apertava mas era essencial seguir o plano que previa uma visita corrida e guiada às instalações seguida da distribuição dos casais pelos quartos.

Pela primeira vez, e com um sorriso de orelha a orelha, subi e desci os 433 degraus que separavam o andar térreo do quarto onde iria pernoitar ( Soube mais tarde que não me calhou o sótão ( mais 20 degraus ) porque não estava em condições de receber visitas ). Sem malas e deslumbrados pela beleza dos tectos e pela vontade de rapidamente chegar ao frugal almoço que nos esperava, aqueles 433 degraus foram penteados num abrir e fechar de olho. De regresso ao piso térreo a confusão era enorme. Malas por todo o lado .. até uma que não nos pertencia e que alguém mal intencionado disse ser da Tucha, por lá andava. Decisão imediata – colocar as malas nos respectivos quartos …. Mais 433 degraus ( Acum= 866 ) a subir e a descer, desta vez com as malinhas às costas … Nada que assustasse um tuga que sabe que a cenourinha no fundo do fio estaria disponível no momento em que o seu pezinho pousasse de novo na segurança no piso térreo, mesmo que a diferença de pressão das subidas-descidas constantes começassem a fazer estragos nos seus ouvidos sensíveis …
Finalmente tudo no seu lugar … TUDO ? … NÃO … Faltava arranjar sitio para o Joao Batata .. e os quartos estavam todos ocupados. Pelo canto do olho reparei num sorriso dissimulado na cara da Teresa Mano no momento em que disseram que os quartos estavam todos ocupados e, pior do que isso, no olhar cúmplice que ela trocou com o Guilherme cremalheira. Imediatamente esta ficou à vista de todos e o dito lançou …"pode ficar na cave .. connosco .. há muito espaço …." … e acrescentou rilhando os dentes …".. e só há uma cama … disfarçando imediatamente com…".. mas só há uma cama …."

Cansado da viagem e habituado a 6 horas de gemidos da Margarida com a Saonsonite entre as pernas, João , olhando sucessivamente para o Guilherme, para a Sansonite, para a Teresa Mano e repetindo esta operação 4 vezes pegou na mala e desceu para a cave. Adormeceu profundamente na salinha por baixo da sala ….. menos um para o almocinho frugal ….

Foi nessa altura que olhei para o meu irmão Fernando e reparei num ar de certa forma comprometido … Falava em surdina com o Zé Manel e pareceu-me ouvir este dizer … " Não tem mal .. eu trouxe umas sandezinhas de lombo de porco de segunda e tenho também rosbife de Domingo .. não tenho é mais pão ….".

Este primeiro erro de logística apesar de ter constituído uma machadada dolorosa no nosso moral esteve longe de o aniquilar, até porque as baguettes que imediatamente surgiram a nossa frente foram regeneradoras da nossa força interior, principalmente para a Margarida que, com uma baguette na mão , olhava de soslaio e, pareceu-me, até alguma desconfiança, para a Sonsonite , e .. pedia mais manteiga …

A Pascale e o Fernando faziam tudo para atender aos nossos pedidos e explicavam-nos os planos que havia para a noite … Jantar no Centro Galego …. Prometia …

Acabamos o lanche e o Zé Manel disse logo que queria dar uma volta … e lá fomos todos menos o Joao que continuava dormitando e gemendo na cave da casa ….

Próximo Capitulo – No Centro galego

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007

Para o casamento da Pascale e do Fernando (pelo Chico Fialho)

Merci, Pascale!
Merci Fernando!
Quelle fête formidable! Bravo!

Je vais pas faire un discours mais j'ai quelques mots à vous dire.

Pour nos amis belges, nous sommes des gens du sud.
Mais pour nous, des soi-disant gens du sud, nous venons du nord, ou, si vous voulez, du nord du sud, dont la capitale est la ville de PORTO.

Ceci pour vous expliquer que cette bande de mangeurs de tripes, à laquelle j'ai la fierté d'appartenir, est montée à Bruxelles pour vous dire, Pascale et Fernando, qu'on vous aime et que l'on est particulièrement heureux de partager aujourd'hui et ici votre bonheur.

Les gens de Porto, comme moi et comme Fernando, sont des braves gens, des honnêtes gens, mais nous avons le défaut de parler franchement, directement, quelques fois même brutalement, avec un brin d'ironie et quelques poussières de provocation.

Soyez donc tolérants, je vous en prie, si par hasard je dérape ici ou là, mais, voyez-vous, nous aimons tous vivre dangereusement.

Pourtant, je suis convaincu que vous et nous avons pas mal de traits communs comme le prouve le fait que nous avons été capables, chacun de son côté et au moment approprié, de bien bouter les fesses du Duque d'Albe en dehors de nos terres et ainsi récupérer notre identité.

Je dois vous avouer ceci:
Depuis que j'ai su de votre décision de vous vous présenter devant le maire d'Ixelles, il y a eu une question qui me trottait dans la tête pendant des semaines.

Je crois avoir finalement trouvé la bonne réponse à cette question, mais pour y arriver j'ai du éliminer d'autres scénarios.

La question était la suivante: Pourquoi?
Fallait-il, vraiment?

Une explication plausible serait celle-ci: Pascale aurait conclu, à la lumière des sondages français, qu'elle aurait prochainement besoin d'une épaule solide pour pleurer amèrement la plus que probable défaite de Ségolène Royal.

Une autre hypothèse découlait des récents travaux législatifs du Parlement fédéral belge, qui vient de voter cette semaine des modifications radicales du régime de mariage de façon à éliminer la notion de faute en cas de divorce. Dorénavant, donc, quand Pascale et Fernando iront au cinéma et se rendront compte que la salle affiche complet, qu'il n'y a plus de place, ils pourront toujours se dire, comme le Philippe Geluck portugais:
"Zut, c'est pas grave! Tiens, allons divorcer à côté."

Or, c'est en lisant plus attentivement votre aimable invitation que je me suis rendu compte que j'avais tout faux. Pascale et Fernando nous ont invité à les rejoindre dans ce club de tennis parce que ce n'était plus un set que l'on pourrait perdre ou gagner, c'était le match point de leur vies qu'ils allaient emporter. C'est le grand schlem qu'ils visent.

Je me souviens de Fernando, assis à la table de sa chambre d'étudiant à Lisbonne, écrivant à son père une lettre enflammée et émouvante dans laquelle il lui demandait de ne pas se faire des soucis à cause de l'examen qu'il venait d'échouer, de rater.

Il m'a lu l'extrait de cette lettre où il disait comme un général: " j'ai perdu une bataille mais je vais gagner la guerre!"

Il n'avait pas tort: sa brillante carrière à la Commission et son immense prestige auprès de ses pairs sont là pour le confirmer.

Quand il m'a parlé de votre mariage, Pascale, j'ai reconnu les mêmes yeux pétillants et la même ferme émotion du jeune étudiant de Droit.

Ainsi donc, il n'y a plus de mystère: Pascale et Fernando ont tout simplement découvert qu'il arrive un moment ou l'or appelle de l'or et où l'on sait qu'il faut remplacer nos illusions par de l'éspoir, ce qui est non seulement beau mais aussi sage, et en parlant de sagesse, disons-le en passant, c'est aussi une bonne surprise en ce qui concerne Fernando.

Ceci étant, Pascale, si demain il y ait encore des gens qui auraient le culot de te reposer la même question, "pourquoi?", tu pourras toujours leur répondre comme Montaigne:

"Parce que c'était lui ; parce que c'était moi"


Je vous souhaite tous les bonheurs du monde.

À votre bonheur, à votre amour et à notre amitié!

sábado, 10 de fevereiro de 2007

O último mail da Tita

Espero que consiga escrever um mail em condições desta vez!
Se ninguém me mandar embora acho que vou conseguir contar pelo menos uma parte das minhas aventuras nesta terra!
Para começar e para vos tranquilizar! sim... a primeira semana CUSTA, a mim principalmente por que o meu inglês é muito escasso … e estou permanentemente em pânico por causa dos trabalhos e das sessões de reflexão que vou ter aqui, mas estamos constantemente a receber feedbacks positivos (nem que sejam as paisagens ou os sorrisos dos holandeses) que nos dão forças e aquecem bastante.
No fundo, não vou ter grandes disciplinas, mas sim palestras e mini cursos sobre todos os temas.
Coisas espectaculares, do tipo:
filosofia para crianças, matemática interactiva, resolving problems, drama, úsica ... etc.. (agr não tenho aqui a minha capa onde diz td...lol)

Desde que chegaram as turcas ando a sentir-me mt melhor com o meu inglês.
Elas são um desastre. sabem o vocabulário, a gramática, percebem td mas ninguém percebe o que elas dizem. De qualquer maneira tomei uma decisão, vou falar ate me cansar, alguém me há-de perceber nem que sejam as turcas que estão habituadas a ouvirem-se umas as outras. (lol)
Todo os estudantes são espectaculares (tirando uma Irlandesa que é uma anormal..lol). Toda a gente mete conversa, toda a gente te quer conhecer, o difícil é fazeres-te conhecer quando ninguém percebe o q tu dizes! (lol)
Mas isto está a evoluir, lentamente e também não posso ser muito exigente já que arranjei umas companheiras de erasmus um bocado merdosas que preferem passear no supermercado do que na cidade, tou a exagerar, têm-me ajudado muito com o meu inglês, mas e verdade que se Isolam-se muito e ponhem defeitos em tudo...lol (mas, sem dúvida, o pior defeito é serem contra as drogas... hj foi a primeira vez que consegui ir a uma cofeeshop...foi caricato porque não sabia pedir em inglês e, principalmente, nunca o tinha feito. (lol).
Alguém me diga a melhor forma de o fazer. por favor. Não quero passar, outra vez, pela mesma vergonha!!!
Esqueçam qualquer tentativa de tentar imaginar o tamanho, organização e funcionamento da minha faculdade.
Nem é só o tamanho, é a quantidade de escadas rolantes, de computadores, de salas de estudo, de máquinas de comida que estão espalhadas por todo o lado.
Não existe dinheiro, só tens um cartão de estudante que funciona como cartão de credito, com ele pagas a comida, as fotocópias, as impressões e td o que quiseres comprar na faculdade.
Não sei se sabem, mas vou ter um dia de estágio por semana numa escola, claroque tinha de calhar numa escola longe de casa e sem ninguém conhecido ou pelo menos uma companhia para o caminho para ir treinando o meu Inglês.
Elas ficaram as duas juntas numa escola espectacular.
Mas, vendo pelo lado positivo, fiquei na mesma escola que os Espanhóis e uma inglesa mesmo simpática, por isso vou acabar por os conhecer melhor e libertar-me um pouco das portuguesas.
Os Espanhóis parecem-me ser os mais fixes, pelo menos os mais parecidos comigo, muito descontraídos, divertidos e sempre com boas intervenções quando falam.Uma das coisas de que me dei conta esta semana é que nunca se é suficientemente positivo... lol.. quando se está fora de casa, num país diferente, onde na rua, ao contrário do que as pessoas pensam por vezes, é difícil que as pessoas te entendam, sem os pais por perto, sem os amigos e sem a sopinha quentinha quando se chega a casa e, para piorar, quando no máximo dos máximos, consegues trocar 3 frases com a pessoa que está sentada ao teu lado
Vai crescendo um espírito um bocado negativo, mas, ao mesmo tempo, uma forca que te faz combater, sempre, qualquer pensamento desagradável que tenhas.
Tens de te defender e a melhor maneira é começares pela mente que talvez seja o que consegues controlar com mais facilidade.A sensação de que vais falhar ou de que poderás falhar e de que, se falhares, não tens ninguém para te amparar, é estranha.
Mas com algum esforço mental vais conseguindo atrair muitas energias positivas.
Hoje, por exemplo, passei por uma aventura que não recomendo a ninguém.Decidimos ir alugar as bicicletas, por mais dinheiro que gastássemos ia sempre compensar pq é impossível entrares no espírito dutch se não tiveres uma. Depois de muito ver, de muito escolher... quer dizer.. eu não tive de ver muito, pq em todas as lojas que fui só havia uma bicicleta para o meu tamanho. Uma espectacular, de montanha, cheia de mudanças, td quitada, achava eu que era mesmo boa para os longos quilómetros que ia ter de percorrer.
Depois de atingir 1/7 do caminho cheguei à conclusão que, se calhar não tinha sido a melhor escolha, já que elas pedalavam metade do que eu pedalava. A meio do caminho nem queira acreditar, até nas descidas perdia velocidade, até nas descidas tinha de dar aos pedais.
Comecei a desesperar, só tinha andado 45 m de bicicleta e já não sentia os músculos. muito menos pulmões .., por isso não tive grandes problemas com a asma.
Quando achei que já não podia piorar mais, chega a parte das subidas (quem e que disse que na Holanda não há subidas, que é tudo recto?, desenganem-se).
Tentei ganhar algum lanço pedalando com todas as minhas forcas na descida que havia antes da primeira subida e lá consegui chegar com igual esforço até 1/3 da subida. A partir daí, por mais que pedalasse, não saia do sitio, toda a gente me ultrapassava sem pedalar metade do que eu pedalava.
Desisti.
Saltei da bicicleta e fiz o resto da subida a pé. Quando pus os pés no chão não sentiaas pernas, mas sempre conseguia andar mais rápido e principalmente sem fazermetade do esforço que fazia se estivesse em cima da bicicleta.
Como devem imaginar foi bastante tormentoso, não só fisicamente mas psicologicamente já que toda a gente, á minha volta, pedalava sem sacrifício e com excelentes resultados.
Conclusao: a minha bicicleta é muito pesada, se não a conseguir trocar vou sofrer muito durante os próximos 3 meses já que vou ter de fazer metade do caminho a pé e outra metade em cima da bicicleta. (não sei bem o que é pior).Para a semana não posso escrever e provavelmente nem venho à net.
Vou fazer uma viagem por estas bandas para conhecer melhor este pais.
As pessoas de cá são do mais simpático que é possível.
As da minha “aldeia” dizem bom dia da janela, parece que estamos em Porto Covo primas!!!, que saudades quando tu passas e toda a gente na rua te sorri mesmo quando te têm que explicar as coisas 50 vezes. É um espírito completamente diferente, mas isso fica para contar noutro mail porque este já esta um bocado extenso e, para variar, já me estão a mandar embora.Bjs grandes!!!!P.S Papoilas… tenho tido muitos momentos nostálgicos à vossa conta, aquelescds que me gravaram têm-me feito pensar muito em vocês e em toda a gente antes de adormecer. Obrigado !! Vou tentar papoilar ao máximo aqui!P.S Luísa, por favor não te esqueças do meu presente, imprime-o.Faz mesmo falta!P.S o mail pode estar cheio de erros já que não o vou poder voltar a ler antes de mandar e pouco pude olhar para o ecrã qd o estava a escrever. Não tenho tempo.
Pai, se o mandares a alguém, pelo menos corrige os erros e põe os acentos e os caracteres que não tenho nos teclados ingleses.

Paquistão 1

Olá a todos.

De volta às viagens intercontinentais, aqui estou eu de novo a escrever o que possa e consiga entre as passagens pelos sítios diferentes…

A viagem hoje começou em Londres, ou mais propriamente em Brentford. Não sem sobressaltos já que a primeira tentativa de sair de casa foi frustrada pq o telemóvel resolveu ir parar debaixo do cobertor e então fugiu à olhada de lince pré saída. Resultado… Foi descoberto a tempo e tive de ir a correr buscá-lo e voltar à ida.

Um aparte localizante. Há que lembrar que saindo destas partes Londrinas e comparando as pessoas, um gajo nem sente bem as viagens, de onde sai/está ou vai. A bem dizer deve haver mais Paquistaneses por Km2 ali do que aqui em Abu Dhabi onde comecei a escrever. E as outras coisas todas mundiais que por ali passam.

Mas enfim, o que é certo é que as pessoas aqui em Inglaterra acabam por ser um pouco menos da terra deles, para se tornarem um misto da terra deles e da terra dos Ingleses, embora haja culturas que estão tão longe (como as Asiáticas das Índias) que mesmo avançando para um intermédio entre elas, tipo agora ele fica 50% Inglês ou 50% Paquistanês, pareça que elas estão ainda tão longe da cultura que os acolhe, neste caso a Euro-Inglesa. Aqui um realce para a religião, a coisa que mais nos separa neste mundo inter-cultural, porque realmente os Paquistaneses têm muito mais dificuldades em entrar no Mundo Ocidental porque são Muçulmanos antigos, não bebem e obrigam as mulheres a cobrirem-se, etc etc, enquanto que os Indianos bebem, e deixam as mulheres andarem de cabeça descoberta (se bem que o resto é pa cobrir)…

Começando a viagem.
As águas começam-se a separar no Terminal do aeroporto. No metro temos a mistura habitual mas sem distinções, Polacos, Somalis (as duas raças em maior crescendo nos 2 últimos anos em Inglaterra), Amarelo, Tuga, etc etc. O meu destino é o Paquistão mas pa chegar lá preciso de ir aos Emirados Árabes Unidos conhecido não só pela Selecção que uns anos atrás foi ao Mundial de Futebol, mas também pelo Dubai, terra turística internacional. O Terminal 3 de Heathrow do qual nunca tinha saído, é o terminal para os Asiáticos e por arrasto os Australianos, etc. Só a Virgin Europeia é que viaja de lá. Portanto, quanto mais me enfiava pelo terminal mais as caras Asiáticas apareciam, mais empregados falavam Árabe e demais línguas, etc etc. E cada vez mais se vem mulheres tapadonas e não são as que vem mal, mas as que cobrem o corpo com tecidos enormes para ver se não despertam a vontade ao Menaço de ver ou de tocar, isto já dizia o profeta Maomé há 1400 anos atrás. Coitadas das pessoas que se regem por princípios de há 1400 anos atrás (não esquecer que o Corão foi escrito 600 anos depois da Bíblia, isto é e já agora… ainda bem que já não nos regemos pela Bíblia duo-milenar). Esses princípios antigos sentem-se e dividem as águas quando entramos em sítios bem religiosos, especialmente os sitios Judaico-Cristãos-Muçulmanos monoteístas, tudo nascido lá prós lados de Jerusalém.

O check in para o voo foi feito já numa velocidade pouco Londrina, com os números de famílias grandes com sacos o dobro do tamanho deles a tomarem conta dos balcões e a fazerem perguntas e a tentarem sacar uns kilitos de graça das atenciosas senhoras (destapadas), que trabalhavam nos balcões. Tudo feito, e já a roçar o limite da entrada no voo (já não tenho idade pa estes stresses, mas olha, precisava daquela horinha de sono depois do Elifoot da noite passada). Indicaram-me um sitio diferente po porta-fatos (podia ficar preso algures na viagem de tapete rolante entre o balcão e o porão do avião). Então disseram-me pa mete-lo numa espécie de gaoiola semi abandonada perto do balcão, e prometeram que metiam aquilo no avião e, espero eu estar errado, não tenho a absoluta certeza de que vou vê-lo juntamente com a minha mala lá no aeroporto de Lahore (Paquistão), onde espero aterrar, dado que, devido a constantes e persistentes nevoeiros, muitos voos tem sido desviados para outras partes do Paquistão. Seria engraçado ver o voo desviado para Kabul no vizinho Afeganistão mas duvido que haja assim tanto nevoeiro no Paquistão todo.

Chegamos à porta de entrada pó avião e as águas continuavam-se a separar. Confesso que tenho dificuldade em diferenciar as pessoas que aqui estão entre os Árabes e os outros mais Indianos. Mas como é óbvio, há sempre maneiras! Estes rapazes gostam tanto das mulheres deles que as obrigam a vestir da maneira deles (porque os Homens tirando excepções vestem roupa que se poderia vestir em qq cidade Europeia, embora alguma dela tenha design antigo). Portanto vem-se as Indianas com as suas vestes Indianas, as Paquistaneses parecidas mas cobertas e menos coloridas, e depois hão de estar as Árabes ainda menos coloridas mas cobertinhas. Porque eles, como já disse salvo rara excepção preferem se vestir como os outros, quiçá para não levarem com olhares estranhos ou confusos de outras pessoas, como elas que andam na rua num Carnaval de cores ou tapadices. Pera lá, então o objectivo não era cobri-las para elas não se mostrarem e chamarem a atenção dos homens predadores e com cenas subidoras produtores de testosterona e passíveis de excitação precoce?? Então?? Bem, lá atenção há muita e de facto só se vê o que se pode imaginar, e se elas levam com olhares azar o delas, não é verdade, quem lhes mandou sair mulher! Isto mostra bastante bem o sentimento de inferioridade e de fraqueza do homem, que não admite que a mulher vista algo sexy porque tem medo que ela atraia atenção e baze, isto é, eu não vou lutar pela mulher vou manipulá-la e obriga-la a sacrificar metade da sua vida e personalidade pelo meu medo… e ainda dizem que as mulheres são inseguras… De qualquer das maneiras esta obrigação de tapar mulheres repudia-me por muitos amigos e camaradas que tenha ou vá ter no mundo Muçulmano!

A entrada no avião foi boa, já tinha escolhido o lugar no dia que comprei o bilhete online e nota-se que fui dos poucos a fazer isso. Resultado, lugar mesmo na fronteira dos pobres/ricos, com a vantagem de poder esticar as pernas dado que à minha frente não haver cadeiras mas apenas a linha de fronteira entre a Business Class e os outros. O avião era dos novos, senti logo a diferença. Com estas cenas da Ryanair um gajo esquece-se de como os aviões são. E além disso não há comparação nos requisitos da viagem local com os dos voos mais longos. Não posso deixar de relembrar que realmente no ano passado até fiz 2 viagens longas de avião, uma pa Goa num charter sem gds condições mas a preços baratos, a outra foi na nossa TAP que comparada com esta Etihad Airways parece ridiculamente velha e desactualizada. O avião da TAP que ia pa Caracas estava velho e ultrapassado (por ex não tinha tvs individuais, isto é tinha de se ver os programas que eles punham, enquanto que num avião de hoje em dia se pode ligar e desligar a tv individual que está na parte de trás do banco q tá em frente a ti), além de que as hospedeiras desta empresa são jovens, simpáticas e cheiram bem (tive mm para perguntar se era um requisito para trabalhar aqui, o usar perfume), enquanto que na TAP tínhamos lá pessoal de idade demasiado avançada pa tar dentro de um avião, e nem eram/foram dos mais simpáticos… pessoas com aquela idade deviam era estar a descansar algures perto de casa ou num escritório, e não a saltar de Continente pa Continente. Enfim, digamos que se reúnem as condições para um voo fixe por aqui. Confirmou-se com a comida (cordeiro) e com o serviço, bem estruturado e bem disposto… uma boa disposição ajuda sempre.

As pessoas do voo pa Abu Dhabi já eram mais parecidas com o final, com o que vou encontrar por lá pelo Paquistão, isto é a maioria era Indiana ou Paquistanesa, com alguns Árabes. As hospedeiras iam do Chinês (ou Asiático, se calhar eram Tailandesas, mas estavam na Cabine dos ricos, se calhar era por serem Branquinhas, este mundo gosta muito de brincar com essa coisa da cor), ao Indiano até ao Árabe, alem de haver outras que não sabia distinguir e tb não ousei perguntar, se calhar vinham de Inglaterra, mas isso não faz sentido, estes gajos nunca pagariam a Ingleses os preços que os outros ganham na empresa. Os únicos Europeus certos aqui eram os pilotos, esses ganham bem em qualquer parte do mundo.

Entre o ler o jornal que arranjei antes de entrar no avião (o Guardian) e comer, lá deu para falar com o companheiro de viagem. Indiano, "mas agora com Passaporte Britânico", vive em Bombaim, Management Consultant como frisou, isto é, não faço a mínima ideia o que faz, mas sei que deve falar bem. Lá lhe expliquei a minha cena e fomos falando aqui e ali, a certa altura fechei o olho. Ficou rapidamente noite, nós estávamos a ir contra o Sol, disse adeus ao Sol algures sobre Belgrado, sabendo que o ia encontrar quando chegasse a Lahore (se não houvesse nevoeiro pois claro). O resto da viagem foi calmo. Ah esquecia-me. O avião era tão simpático que até indicava a direcção de Meca (Makkah). No princípio não percebi que seta era aquela que, de 10 em 10 minutos apontava para fora da fotografia do avião na tv de bordo, mas tb não consigo ler a escrita Árabe. Mas depois lá percebi. Cada vez q o gajo mudava de rota lá se tinha de mudar a seta. Porque o maior medo de um Muçulmano imagino eu é o de rezar com o cu virado pa Meca, que afronta! Tem de ser feito bem viradinho, com a cara e as mãos viradas e 5 vezes ao dia. Por acaso ainda fui investigar o avião a ver se tinham uma sala para rezar como há em Heathrow (consta tb que a sala de reza" que havia na feira de Frankfurt era uma maradice pq para além de terem de rezar 5 vezes, virados pa Meca, tb tem de tirar os sapatos e se possível lavar os pés, o que se torna um pouco chato num salão internacional, enfim).

A aterragem em Abu Dhabi foi excelente, e com uma dinamica nova! Este avião é uma curte (Airbus A330-200). Tem 2 câmaras instaladas, uma por baixo do avião e outra na frente. Dá para ver o avião a aterrar e ver mais ou menos a perspectiva do piloto, incluindo qd chega ao solo em que o gajo vai de ladeiro e e dps bira o bião pa direita pa aterrar.... Foi fixe!

O aeroporto de Abu Dhabi é bastante básico. Ouvi dizer que o do Dubai é uma loucura de luxo, mas este é pequenito, com umas lojitas e uns portões de embarque e tal. Andei por lá à procura de um sitio para carregar o computador pq estava quase sem bateria, dado que tive a acabar uns trabalhos que não tinha podido acabar no dia anterior que passei com uma ressaca descomunal depois de uma noite excelente de copos num Pub de Stetchford com o Caiado e o Xavier. O aeroporto estava com bastantes tapadonas, mas tb havia algumas Europeias, e até vi uma de metro e oitenta com um vestido pelos tornozelos a mostrar 70% dos braços e o tornozelo todo, enfim, uma afronta para a mulher policia que vi. Ela própria só mostrava metade da testa e metade do queixo mais metade de cada bochecha (parecia que tinha uma cena cozida na cara de tão apertado que parecia) mas em contrapartida conseguia mostrar o nariz todo e até as pestanas e sobrancelhas, que muitas naquele aeroporto não tinham a coragem de mostrar. Vi por lá um grupo de Asiáticas tapadonas que deviam vir da Malásia, coitadas delas, tão longe de Meca mas mm assim tapadonas. Portanto até tinha um bando de pessoal diferente, de diversas áreas, e depois de carregar o computas (as fichas eram como as Inglesas) fui ao portão de embarque onde me juntei ao resto dos Paquistaneses (e praí 5 Europeus) que iam pa Lahore. La tivemos que tirar os sapatos, abrir os sacos, etc etc, mas tudo de uma maneira bem mais desordeira que nos aeroportos Europeus, com o Árabe policia de metro e meio a gritar assustadoramente num Inglês macarronico, façam uma fila, façam uma só filaaaaaa (repetidisimo), tudo a cagar, até que um ou outro diz, tas a falar pa mim, o pa eu tou aqui pq o Ze que esta aqui ao lado é meu amigo e eu sou atrás da Maria que está ali, e o outro que não está na fila aproveita para mandar uma desculpa ainda mais convincente, deste movimento fixe resultando que fica tudo semi-parado e com o raio x parado, etc. Enfim, ainda há sítios em que a policia tem a mania (Portugal já não é assim tanto a não ser que sejam os policias de choque e do outro lado estejam adeptos do FCP ou comunistas), mas enfim, tá calado ó baixinho que não vais a lado nenhum, deixa mas é passar, e um gajo lá tira os sapatos mete as cenas no raio x (havia pessoas a passar com carteiras e tudo, isto é não faziam a mínima ideia ou o que era um detector de metais ou então que as moedas tinham metal). Enfim, dei a volta ao Salim, passei pelo Rajid e caguei no moina, passei, não apitei e fui, pq o meu computador já tinha passado e a saquinha com o passaporte e a carteira também, não ia ficar mais tempo à espera que fossem investigar o que tinha na bolsinha, ainda me sacavam os Euros. Entramos no voo, depois da bandalheira inicial, eles demoraram prai 45 minutos a encher o avião, e eu fui dos últimos, não fui pa bicha, deixei o matagal ir. Já tinha o lugar reservado… Fomos de autocarro po avião e qd cheguei ao avião, outra vez a caminho do meu lugar semi-Vip mesmo ao lado dos ricos, deparei com um casal no meu lugar. Com um olhar 323, um ligeiro dobrar de sobrancelhas, expliquei ao gajo, BAZA. Ele disse: baby baby… Ele, como aliás metade de pessoal naquele voo, tinha 1 bebe… Nem discuti! Perguntei onde era o lugar dele e sentei-me. Era no banco mesmo atrás. Mais não sei quantos vieram a explicar que tinham bebes, que se queriam sentar ali, mas olha, também os outros tinham. Desliguei, não tava pa ouvi-los, os gajos que lutassem pelos lugares da frente que dava acesso a terem um sitiozinho pa meter um carrinho de bebe…

O gajo do lado desta vez era um Paquistanês de Lahore, que tinha uma fábrica de casacos de couro, vivia em Bruxelas (tinha lá uma loja), vendia pa toda a Europa, casacos que valiam 300 Euros (eram copiados das marcas que os vendiam a esse preço) mas o gajo vendia por 50 Euros. Se alguém quiser comprar casacos de couro Paquistaneses, que mande um e-mail e temos negócio! O couro é bom, o design copiado mas olha não se pode fazer tudo!!
A chegada a Lahore foi um mimo, tive mesmo sorte pq estando na frente do avião consegui ultrapassar a mulher da alfandega rapidamente. Rapidamente isto e pq havia poucas pessoas à minha frente. Pq mm assim demorou, e imaginem, ela tinha se esquecido de por o selo no Passaporte… Depois de 10 minutos a ver e rever, a preencher o cartão de entrada no Paquistão, etc, a gaja esquece-se de por o selo de entrada… Se não fosse o policia que ve selos (há que dar trabalho!) a notar tinha se calhar bons problemas à saída daqui! Depois fui buscar as malas… Com ganas de ver se tinham realmente posto o fato no avião (com poucas esperanças, e com o sono e tudo o resto já tava a preparar a mensagem à companhia aérea e à gaja que me tinha convencido a por o porta fatos na gaiola semi-abandonada). A mala veio rapidamente, o fato não… Esperava e esperava. Com curiosidade aliás, a ver as cenas que iam naquele tapete rolante. Com especial realce nuns bidões de água que vinham lá. Passei-me. Fonix, deu-me mesmo um vibe. Possa estes gajos trazem bidões de 5 litros de água? Será que nem água potável tem? Onde me fui meter… O sono não ajudava, já eram 2.30 da manhã Portuguesas, e tava Sol e tudo (o nevoeiro estava curto). Lá me explicaram que aquela água era água benta (ou lá como os Muçulmanos chamam à "Holy Water"). Vinha directamente de Meca! Ahhhhhhhh como a do Ganges. Pelo menos se não chover a água benta de Meca sempre dá pa fazer coisas, e ouvi dizer que a água do deserto é muito boa senão não tinham acabado com ela!!

Saí do aeroporto sem problemas (não sei antes provar ao "policia que ve se as malas que levas são mesmo tuas" que tinha papelzinho comprovante para levar as malas comigo) para deparar-me com um choque, possa esta cena cheira mal (o tal "nevoeiro" como chamam). Como um gajo se adapta bem (embora nunca me tenha adaptado a Cacia, nem àquela fabrica maradex que dantes havia em Matosinhos) ao cheiro isto só ia durar uns minutos, mas a primeira vez que respirei o "nevoero" passei-me, aquilo estava cheio de cenas no mínimo semi-tóxicas. Até sonhava com a poluiçãozinha de Londres, já me tava a ver a espirrar como um louco… Mas a sério, aquilo cheira estranho, e ainda por cima não chove aqui ou é raro por isso fica tudo no ar… Nem quero imaginar isto quando ficar calor e chegar aos 48 graus (agora estão uns maravilhosos 25 graus, temperatura ideal).

Ficamos por aqui hoje, depois vai-se divagar com o uso das mãos Europeias vs Asiáticas, e uma surpresa na chegada ao Paquistão com o Mr. Tiago businessman…

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