
O Zé Borges, o baixinho, diz que nós ( o resto da COMORG ) somos ‘pais de perna aberta’ . Não é que ele as tenha muito fechadas mas acho que é uma forma de se referir a uma forma de educar que pegou muito moda depois do 25 de Abril …
A forma como nós ( os kotas actuais ) se relaciona com os seus filhos, os tentou educar , é imensamente diferente com o que aconteceu entre nós e os nossos pais. O conflito de gerações está longe de ser tão evidente. Não há tanta diferença relativamente a questões políticas, ou sexuais, ou de forma de ver os problemas gerais do mundo actual. Atrever-me-ia até a dizer que, em alguns casos, haverá até kotas com ideias mais ‘avançadas’ que os respectivos progenitores …
Mas enfim, não é bem isso que eu gostava de ver falado aqui .. O que eu gostava era que a jubentude que por aqui anda desse a sua opinião sobre a forma como se relaciona com os papás. Se acha que somos demasiado severos . ou demasiado liberais …
Eu sempre me guiei pelo principio de que o Gonçalo e a Maria eram capazes de assumir a responsabilidade dos seus actos e , principalmente a partir de determinada idade, achei que eram eles que deveriam definir as suas vidas, quer nas coisas mais pequenas como seja a hora de deitar, ou se deviam ou não ir tomar um café a Espinho, quer em relação a decisões masi importantes como seja o evoluir dos estudos deles ou os planos de vida deles.
Quando era novo fartei-me de ‘mentir’ aos avós. Umas vezes por boas causas, outras por causas menos boas, o certo é que foi a forma que encontrei de dar a volta as questões e conseguir fazer o que queria realmente fazer. Havia assuntos em que não era possível o entendimento e achava que o melhor era nem sequer falar, esconde-los e seguir em frente.
Gostava de falar mais com o Gonçalo e a Maria e gostava que eles falassem mais comigo. Vendo de longe acho que também gostaria de ter falado mais com o Avô. Por incrível que pareça foi depois de já ter a minha vida encaminhada, já estar fora de casa que fui falando mais com ele.
Sempre achei que a confiança ( e orgulho ) que nós depositávamos no Gonçalo e a Maria deveria ter da parte deles uma resposta semelhante, isto é, confiança em nós e tb orgulho em nós. Nem sempre as coisas são fáceis. Nem sempre falar e transmitir é fácil mas, apesar de tudo, apesar das dificuldades e das incertezas de cada um, das angustias em relação ao futuro, acho que seria sempre um Pai de perna aberta … lol ….
Contem coisas … arrasem-nos …. Sei que é um tema … complicado .. mas …
