CAPITULO I – Dos céus da Ibéria até à Europa Flamenga
Passada uma semana ainda se notam em Bruxales os efeitos de um fim de semana marcado por acontecimentos agitados para os lados da Estação do Midi.
Isso mesmo é comprovado pela extracto da notícia que se pode ler no jornal de bairro ( pelo francês macarrónico supomos tratar-se de um periódico das comunidades portuguesas ) que, no seu editorial de ontem, destacava :
« … les reflexes de cette invasion dans le quotidien calme de notre quartier ont eu leur climax quand les portes et les fenêtres des restaurants se sont fermées précocement et les habitants tremblaientt en écoutant les cris qui entendaientt au fond :
« We want rice … nous voulons du riz … »
La turbe, arrivée de différents quartiers de Brussels, s'est concentrée à la porte du Centre Galego et son lider (arrivée du Paquistao la semaine dernière) a parlé aux manifestants ….
Quelques moments plus tard, la turbe hululant augmentait le niveau politique de sa contestation en criant :
We want pitas …. Bamos comer pitas …
Avec une capacité organisatrice que l' on voit rarement à Brussels, des CPMPAR – Comité pour Manger Pitas Avec Riz - s'organisent par tout. Une structure de coordination, de niveau supérieur, s'établit pour commander les négociations – CCPPPPR – Comission de Coordination des Pitas Pour Portugais Plus Riz ….».
E o jornal continuava a sua descrição dos acontecimentos. Quis a sorte que nós próprios estivéssemos envolvidos no cerne das ocorrências podendo assim fornecer uma versão imparcial e nacional do que se passou. Tentaremos fazê-lo por capítulos de forma a não massacrar os eventuais leitores.
Tudo terá começado umas semanas antes quando vários portugueses, espalhados pelos 4 cantos da Europa, receberam convites para o casamento do Fernando e da Pascale . Imediatamente uma máquina infernal começou a planear a operação. Coordenados pelo Centro de Informação e Documentação do Zé Manel, a troca de mails foi intensa e apaixonada. Organizaram-se grupos, alugaram-se carros, bloquearam-se os penetras, planeou-se a indispensável dieta nos dias anteriores, programou-se o encaixe e a eventual troca de casais em casas de Bruxelas.
Foi atribuído um nome de código para a operação – Todos a Brochelas – fundamental para elevar o moral das tropas e manter um nível de concentração imprescindível para um correcto desenrolar das actividades.
Sexta-feira, dia 16, eles começaram a partir.
- de Miramar/Aldoar ( grupo em que me infiltrei) , e via Valladolid, um grupo de 6 Vasquez ( Zé Manel, Margarida, Ana, Teresa, Luis, Maria ), alugou uma carrinha com condutor que, por ser o João Batata, ficou de graça. A saída deu-se por volta da 1h da manhã de 6ª feira, o Joao ao volante coadjuvado pela Margarida que, soltando gemidos intermédios entre o prazer e a dor, ia aconchegando uma Sansonite entre as pernas, enquanto transmitia orientações ao seu piloto. Os 'Aiii João .. por aí não !!" sugerem interpretações diferentes, as mais libidinosas das quais aponta para uma absurda fixação e interacção entre a já referida Sansonite e um amor incompreendido da sua adolescência.
A chegada a Bruxelas deu-se por volta das 13,30h da tarde, frescos como alfaces de Bruxelas e prontos para tudo. A excitação era enorme face à perspectiva de, pela primeira vez, sentirem o gozo de andarem na famosa Nabette. Em frente do tapete rolante esperavam ansiosamente a chegada das malas. A Margarida, particularmente, não tirava os olhos da portinha de entrada das malas ansiosa por, de novo, poder carregar a Sansonite que tão ternamente se lhe alojou entre as pernas durante toda a viagem. O João, nariz no ar, estava atento às movimentações das meninas, sempre pronto a ajudar qualquer dificuldade linguística. A adrenalina no pico esvaiu-se em quase nada quando, ao passarem a porta do aeroporto, viram ao fundo a empolgante traseira da poderosa Nabette a roncar em direcção ao centro da cidade … Tão perto do paraíso e, praticamente, a morte na praia … Acabaram por chegar à Gare do Midi por volta das 15h onde os aguardavam o Tiago e a Benedita.
- do Campo Alegre, a família Cruz andava empolgada com a perspectiva de, via Frankfurt, e recorrendo ao aluguer de um carro sem o Joao incluído mas substituído por uma poderosa e sensual GPS, efectuar a viagem em calma e segurança. Sentando-se ao volante do carro alugado, o correcto Cruz estremeceu e sentiu um arrepio na espinha quando ouviu uma voz sensual feminina desejar-lhe uma boa viagem …. Virou-se para a Teresa e resmungou …
.." Que merda é esta .. uma gaja a dar-me ordens .. Vamos ter bRIGA .."
Ao ouvir isto a sensual GPS começa a debitar ordens como se fosse a minha filha Maria no banco de trás do meu carro … Vira para ali … agora para acolá … Acossado por todos os lados ( a Luisa atrás dizia …"Oh Pai .. faz o que ela diz …" ) Pedro hesita , balbucia, e finalmente, derrotado .. segue as instruções … Três horas mais tarde vê uma placa que assinala a chegada a … Riga … Polónia .. um pouco mais a Leste … um pouco mais a Norte … 8 horas depois chegou finalmente a Bruxelas … cansado .. mas … de consciência tranquila e sapiente de que quem mandava naquele carro alugado sem Joao mas com uma sensual GPS a debitar orientações ….. era ELE …
- Outro grupo animado parte também do Porto, em avião directo para Bruxelas .. outro nível e a certeza que nenhuma mala iria ficar em Valladolid, esquecida a um canto da sala de embarque … Um grupo homogéneo … Logo a caminho do aeroporto o Diniz queria parar no Museu Soares dos Reis para adaptar a mente ao banho de cultura que Bruxelas lhes iria proporcionar … A muito custo o António Maria lá o convenceu que poderiam ir ao Soares dos Reis quando regressassem de Bruxelas … A Carminho, ao lado, pontapeava quase violentamente o A .Maria insistindo para que fossem ao Museu, porque ela tinha umas comprinhas de ultima hora a fazer numa sex-shop que tinha acabado de abrir e oferecia promoções de mãozinhas de tipo G por um preço irrecusável …. Ouvindo isto, o Zé Luis ofereceu-se para fazer companhia à Carminho e pelo caminho ainda bebia 2 ou 3 bejocas, porque o bacalhau do almoço estava muito salgado …. A viagem de avião decorreu normalmente, não fosse, à chegada, uma Sansonite do tipo da que a Margarida afagou suavemente entre as coxas durante 458 km, não tivesse, sem explicação possível ter seguido caminho para Riga, onde ainda se cruzou com a família Cruz que viajava em sentido inverso.
A Tucha ficou a saber porque motivo uma Sansonite, por maior que seja, fica melhor e mais segura entre as coxas de uma mulher precavida do que no escuro de um porão de um avião, mesmo que da TAP. Ao fim de 3 horas de nos esfregarmos no chão do palco do casamento do Fernando .. ninguém notou a diferença …..
- Do Paquistão, onde foi inaugurar uma fábrica de pastilhas elásticas, chegou o Tiago … Provocador como sempre e sedento de ver pele de mulher à vista desarmada e sem ter de recorrer a artefactos de complexa tecnicidade. Farto de burgas e véus e coisas do género, não olhava a idades para alcançar os fins a que se propunha. Pelas suas mãos iriam passar, deslizar … e até voar algumas das maduras mais maduras mas mesmo maduras da festa do casamento de Sábado… lá chegaremos ….
- A meio da tarde de sexta chegou o Ruizinho de Londres, sempre atento e cauteloso em relação aos ambientes que a sua amada João, deve frequentar.. vindo à frente para preparar o caminho. A Joao chegaria só de noite.
- Também a meio da tarde chegou o Guilherme Cremalheira e a Teresa Mano carregados de plantas de casas de arquitectos já mortos e enterrados que queriam visitar.
- Desde o dia anterior já estavam instalados em Bruxelas o Fernandinho e Naomie encarregados de preparar o Apartamento do Fernando para receber os jovens e alguns até imberbes. Para tal já estavam aprovisionados 44 CD's de filmes pornográficos, de estilos diferenciados, 894 Pizzas light, 30 grades de cerveja convenientemente disfarçadas para não serem reconhecidas pelo olfacto ultra-sensivel do Zé Luís, 8 bonecas insufláveis e 9 bonecos do mesmo género, um deles assumidamente gay, 4 Kg de erva da melhor qualidade e 56 pacotes de mortalhas não poluentes. Para uma emergência, e não fosse o diabo tecê-las, 80kg de Arroz Agulha Carolino …
- Também desde o dia anterior estava em Bruxelas, luxuosamente instalado num hotel do Sablon, o Zé Manel Pestana e Kika Fadista .. Depois de partir as camas de 4 camas por insistir em testar a sua resistência atirando-se para cima delas, finalmente arranjou um quarto em que a cama tremelicou mas …. resistiu
A chegada a Casa da Pascale do grupo de Miramar-Aldoar decorreu no melhor estilo. O pequeno lanço de escadas que se esconde por detrás da porta de entrada foi transposto como se um pequenino degrau se tratasse, isto tudo apesar do peso das malas, nomeadamente a do Joao, carregada de roupa interior de homem e de mulher até de alguma lingerie uni-sexo. O chamariz do almoço frugal que nos estava prometido também foi um incentivo que nos deu alguma energia suplementar. A fome apertava mas era essencial seguir o plano que previa uma visita corrida e guiada às instalações seguida da distribuição dos casais pelos quartos.
Pela primeira vez, e com um sorriso de orelha a orelha, subi e desci os 433 degraus que separavam o andar térreo do quarto onde iria pernoitar ( Soube mais tarde que não me calhou o sótão ( mais 20 degraus ) porque não estava em condições de receber visitas ). Sem malas e deslumbrados pela beleza dos tectos e pela vontade de rapidamente chegar ao frugal almoço que nos esperava, aqueles 433 degraus foram penteados num abrir e fechar de olho. De regresso ao piso térreo a confusão era enorme. Malas por todo o lado .. até uma que não nos pertencia e que alguém mal intencionado disse ser da Tucha, por lá andava. Decisão imediata – colocar as malas nos respectivos quartos …. Mais 433 degraus ( Acum= 866 ) a subir e a descer, desta vez com as malinhas às costas … Nada que assustasse um tuga que sabe que a cenourinha no fundo do fio estaria disponível no momento em que o seu pezinho pousasse de novo na segurança no piso térreo, mesmo que a diferença de pressão das subidas-descidas constantes começassem a fazer estragos nos seus ouvidos sensíveis …
Finalmente tudo no seu lugar … TUDO ? … NÃO … Faltava arranjar sitio para o Joao Batata .. e os quartos estavam todos ocupados. Pelo canto do olho reparei num sorriso dissimulado na cara da Teresa Mano no momento em que disseram que os quartos estavam todos ocupados e, pior do que isso, no olhar cúmplice que ela trocou com o Guilherme cremalheira. Imediatamente esta ficou à vista de todos e o dito lançou …"pode ficar na cave .. connosco .. há muito espaço …." … e acrescentou rilhando os dentes …".. e só há uma cama … disfarçando imediatamente com…".. mas só há uma cama …."
Cansado da viagem e habituado a 6 horas de gemidos da Margarida com a Saonsonite entre as pernas, João , olhando sucessivamente para o Guilherme, para a Sansonite, para a Teresa Mano e repetindo esta operação 4 vezes pegou na mala e desceu para a cave. Adormeceu profundamente na salinha por baixo da sala ….. menos um para o almocinho frugal ….
Foi nessa altura que olhei para o meu irmão Fernando e reparei num ar de certa forma comprometido … Falava em surdina com o Zé Manel e pareceu-me ouvir este dizer … " Não tem mal .. eu trouxe umas sandezinhas de lombo de porco de segunda e tenho também rosbife de Domingo .. não tenho é mais pão ….".
Este primeiro erro de logística apesar de ter constituído uma machadada dolorosa no nosso moral esteve longe de o aniquilar, até porque as baguettes que imediatamente surgiram a nossa frente foram regeneradoras da nossa força interior, principalmente para a Margarida que, com uma baguette na mão , olhava de soslaio e, pareceu-me, até alguma desconfiança, para a Sonsonite , e .. pedia mais manteiga …
A Pascale e o Fernando faziam tudo para atender aos nossos pedidos e explicavam-nos os planos que havia para a noite … Jantar no Centro Galego …. Prometia …
Acabamos o lanche e o Zé Manel disse logo que queria dar uma volta … e lá fomos todos menos o Joao que continuava dormitando e gemendo na cave da casa ….
Próximo Capitulo – No Centro galego
Passada uma semana ainda se notam em Bruxales os efeitos de um fim de semana marcado por acontecimentos agitados para os lados da Estação do Midi.
Isso mesmo é comprovado pela extracto da notícia que se pode ler no jornal de bairro ( pelo francês macarrónico supomos tratar-se de um periódico das comunidades portuguesas ) que, no seu editorial de ontem, destacava :
« … les reflexes de cette invasion dans le quotidien calme de notre quartier ont eu leur climax quand les portes et les fenêtres des restaurants se sont fermées précocement et les habitants tremblaientt en écoutant les cris qui entendaientt au fond :
« We want rice … nous voulons du riz … »
La turbe, arrivée de différents quartiers de Brussels, s'est concentrée à la porte du Centre Galego et son lider (arrivée du Paquistao la semaine dernière) a parlé aux manifestants ….
Quelques moments plus tard, la turbe hululant augmentait le niveau politique de sa contestation en criant :
We want pitas …. Bamos comer pitas …
Avec une capacité organisatrice que l' on voit rarement à Brussels, des CPMPAR – Comité pour Manger Pitas Avec Riz - s'organisent par tout. Une structure de coordination, de niveau supérieur, s'établit pour commander les négociations – CCPPPPR – Comission de Coordination des Pitas Pour Portugais Plus Riz ….».
E o jornal continuava a sua descrição dos acontecimentos. Quis a sorte que nós próprios estivéssemos envolvidos no cerne das ocorrências podendo assim fornecer uma versão imparcial e nacional do que se passou. Tentaremos fazê-lo por capítulos de forma a não massacrar os eventuais leitores.
Tudo terá começado umas semanas antes quando vários portugueses, espalhados pelos 4 cantos da Europa, receberam convites para o casamento do Fernando e da Pascale . Imediatamente uma máquina infernal começou a planear a operação. Coordenados pelo Centro de Informação e Documentação do Zé Manel, a troca de mails foi intensa e apaixonada. Organizaram-se grupos, alugaram-se carros, bloquearam-se os penetras, planeou-se a indispensável dieta nos dias anteriores, programou-se o encaixe e a eventual troca de casais em casas de Bruxelas.
Foi atribuído um nome de código para a operação – Todos a Brochelas – fundamental para elevar o moral das tropas e manter um nível de concentração imprescindível para um correcto desenrolar das actividades.
Sexta-feira, dia 16, eles começaram a partir.
- de Miramar/Aldoar ( grupo em que me infiltrei) , e via Valladolid, um grupo de 6 Vasquez ( Zé Manel, Margarida, Ana, Teresa, Luis, Maria ), alugou uma carrinha com condutor que, por ser o João Batata, ficou de graça. A saída deu-se por volta da 1h da manhã de 6ª feira, o Joao ao volante coadjuvado pela Margarida que, soltando gemidos intermédios entre o prazer e a dor, ia aconchegando uma Sansonite entre as pernas, enquanto transmitia orientações ao seu piloto. Os 'Aiii João .. por aí não !!" sugerem interpretações diferentes, as mais libidinosas das quais aponta para uma absurda fixação e interacção entre a já referida Sansonite e um amor incompreendido da sua adolescência.
A chegada a Bruxelas deu-se por volta das 13,30h da tarde, frescos como alfaces de Bruxelas e prontos para tudo. A excitação era enorme face à perspectiva de, pela primeira vez, sentirem o gozo de andarem na famosa Nabette. Em frente do tapete rolante esperavam ansiosamente a chegada das malas. A Margarida, particularmente, não tirava os olhos da portinha de entrada das malas ansiosa por, de novo, poder carregar a Sansonite que tão ternamente se lhe alojou entre as pernas durante toda a viagem. O João, nariz no ar, estava atento às movimentações das meninas, sempre pronto a ajudar qualquer dificuldade linguística. A adrenalina no pico esvaiu-se em quase nada quando, ao passarem a porta do aeroporto, viram ao fundo a empolgante traseira da poderosa Nabette a roncar em direcção ao centro da cidade … Tão perto do paraíso e, praticamente, a morte na praia … Acabaram por chegar à Gare do Midi por volta das 15h onde os aguardavam o Tiago e a Benedita.
- do Campo Alegre, a família Cruz andava empolgada com a perspectiva de, via Frankfurt, e recorrendo ao aluguer de um carro sem o Joao incluído mas substituído por uma poderosa e sensual GPS, efectuar a viagem em calma e segurança. Sentando-se ao volante do carro alugado, o correcto Cruz estremeceu e sentiu um arrepio na espinha quando ouviu uma voz sensual feminina desejar-lhe uma boa viagem …. Virou-se para a Teresa e resmungou …
.." Que merda é esta .. uma gaja a dar-me ordens .. Vamos ter bRIGA .."
Ao ouvir isto a sensual GPS começa a debitar ordens como se fosse a minha filha Maria no banco de trás do meu carro … Vira para ali … agora para acolá … Acossado por todos os lados ( a Luisa atrás dizia …"Oh Pai .. faz o que ela diz …" ) Pedro hesita , balbucia, e finalmente, derrotado .. segue as instruções … Três horas mais tarde vê uma placa que assinala a chegada a … Riga … Polónia .. um pouco mais a Leste … um pouco mais a Norte … 8 horas depois chegou finalmente a Bruxelas … cansado .. mas … de consciência tranquila e sapiente de que quem mandava naquele carro alugado sem Joao mas com uma sensual GPS a debitar orientações ….. era ELE …
- Outro grupo animado parte também do Porto, em avião directo para Bruxelas .. outro nível e a certeza que nenhuma mala iria ficar em Valladolid, esquecida a um canto da sala de embarque … Um grupo homogéneo … Logo a caminho do aeroporto o Diniz queria parar no Museu Soares dos Reis para adaptar a mente ao banho de cultura que Bruxelas lhes iria proporcionar … A muito custo o António Maria lá o convenceu que poderiam ir ao Soares dos Reis quando regressassem de Bruxelas … A Carminho, ao lado, pontapeava quase violentamente o A .Maria insistindo para que fossem ao Museu, porque ela tinha umas comprinhas de ultima hora a fazer numa sex-shop que tinha acabado de abrir e oferecia promoções de mãozinhas de tipo G por um preço irrecusável …. Ouvindo isto, o Zé Luis ofereceu-se para fazer companhia à Carminho e pelo caminho ainda bebia 2 ou 3 bejocas, porque o bacalhau do almoço estava muito salgado …. A viagem de avião decorreu normalmente, não fosse, à chegada, uma Sansonite do tipo da que a Margarida afagou suavemente entre as coxas durante 458 km, não tivesse, sem explicação possível ter seguido caminho para Riga, onde ainda se cruzou com a família Cruz que viajava em sentido inverso.
A Tucha ficou a saber porque motivo uma Sansonite, por maior que seja, fica melhor e mais segura entre as coxas de uma mulher precavida do que no escuro de um porão de um avião, mesmo que da TAP. Ao fim de 3 horas de nos esfregarmos no chão do palco do casamento do Fernando .. ninguém notou a diferença …..
- Do Paquistão, onde foi inaugurar uma fábrica de pastilhas elásticas, chegou o Tiago … Provocador como sempre e sedento de ver pele de mulher à vista desarmada e sem ter de recorrer a artefactos de complexa tecnicidade. Farto de burgas e véus e coisas do género, não olhava a idades para alcançar os fins a que se propunha. Pelas suas mãos iriam passar, deslizar … e até voar algumas das maduras mais maduras mas mesmo maduras da festa do casamento de Sábado… lá chegaremos ….
- A meio da tarde de sexta chegou o Ruizinho de Londres, sempre atento e cauteloso em relação aos ambientes que a sua amada João, deve frequentar.. vindo à frente para preparar o caminho. A Joao chegaria só de noite.
- Também a meio da tarde chegou o Guilherme Cremalheira e a Teresa Mano carregados de plantas de casas de arquitectos já mortos e enterrados que queriam visitar.
- Desde o dia anterior já estavam instalados em Bruxelas o Fernandinho e Naomie encarregados de preparar o Apartamento do Fernando para receber os jovens e alguns até imberbes. Para tal já estavam aprovisionados 44 CD's de filmes pornográficos, de estilos diferenciados, 894 Pizzas light, 30 grades de cerveja convenientemente disfarçadas para não serem reconhecidas pelo olfacto ultra-sensivel do Zé Luís, 8 bonecas insufláveis e 9 bonecos do mesmo género, um deles assumidamente gay, 4 Kg de erva da melhor qualidade e 56 pacotes de mortalhas não poluentes. Para uma emergência, e não fosse o diabo tecê-las, 80kg de Arroz Agulha Carolino …
- Também desde o dia anterior estava em Bruxelas, luxuosamente instalado num hotel do Sablon, o Zé Manel Pestana e Kika Fadista .. Depois de partir as camas de 4 camas por insistir em testar a sua resistência atirando-se para cima delas, finalmente arranjou um quarto em que a cama tremelicou mas …. resistiu
A chegada a Casa da Pascale do grupo de Miramar-Aldoar decorreu no melhor estilo. O pequeno lanço de escadas que se esconde por detrás da porta de entrada foi transposto como se um pequenino degrau se tratasse, isto tudo apesar do peso das malas, nomeadamente a do Joao, carregada de roupa interior de homem e de mulher até de alguma lingerie uni-sexo. O chamariz do almoço frugal que nos estava prometido também foi um incentivo que nos deu alguma energia suplementar. A fome apertava mas era essencial seguir o plano que previa uma visita corrida e guiada às instalações seguida da distribuição dos casais pelos quartos.
Pela primeira vez, e com um sorriso de orelha a orelha, subi e desci os 433 degraus que separavam o andar térreo do quarto onde iria pernoitar ( Soube mais tarde que não me calhou o sótão ( mais 20 degraus ) porque não estava em condições de receber visitas ). Sem malas e deslumbrados pela beleza dos tectos e pela vontade de rapidamente chegar ao frugal almoço que nos esperava, aqueles 433 degraus foram penteados num abrir e fechar de olho. De regresso ao piso térreo a confusão era enorme. Malas por todo o lado .. até uma que não nos pertencia e que alguém mal intencionado disse ser da Tucha, por lá andava. Decisão imediata – colocar as malas nos respectivos quartos …. Mais 433 degraus ( Acum= 866 ) a subir e a descer, desta vez com as malinhas às costas … Nada que assustasse um tuga que sabe que a cenourinha no fundo do fio estaria disponível no momento em que o seu pezinho pousasse de novo na segurança no piso térreo, mesmo que a diferença de pressão das subidas-descidas constantes começassem a fazer estragos nos seus ouvidos sensíveis …
Finalmente tudo no seu lugar … TUDO ? … NÃO … Faltava arranjar sitio para o Joao Batata .. e os quartos estavam todos ocupados. Pelo canto do olho reparei num sorriso dissimulado na cara da Teresa Mano no momento em que disseram que os quartos estavam todos ocupados e, pior do que isso, no olhar cúmplice que ela trocou com o Guilherme cremalheira. Imediatamente esta ficou à vista de todos e o dito lançou …"pode ficar na cave .. connosco .. há muito espaço …." … e acrescentou rilhando os dentes …".. e só há uma cama … disfarçando imediatamente com…".. mas só há uma cama …."
Cansado da viagem e habituado a 6 horas de gemidos da Margarida com a Saonsonite entre as pernas, João , olhando sucessivamente para o Guilherme, para a Sansonite, para a Teresa Mano e repetindo esta operação 4 vezes pegou na mala e desceu para a cave. Adormeceu profundamente na salinha por baixo da sala ….. menos um para o almocinho frugal ….
Foi nessa altura que olhei para o meu irmão Fernando e reparei num ar de certa forma comprometido … Falava em surdina com o Zé Manel e pareceu-me ouvir este dizer … " Não tem mal .. eu trouxe umas sandezinhas de lombo de porco de segunda e tenho também rosbife de Domingo .. não tenho é mais pão ….".
Este primeiro erro de logística apesar de ter constituído uma machadada dolorosa no nosso moral esteve longe de o aniquilar, até porque as baguettes que imediatamente surgiram a nossa frente foram regeneradoras da nossa força interior, principalmente para a Margarida que, com uma baguette na mão , olhava de soslaio e, pareceu-me, até alguma desconfiança, para a Sonsonite , e .. pedia mais manteiga …
A Pascale e o Fernando faziam tudo para atender aos nossos pedidos e explicavam-nos os planos que havia para a noite … Jantar no Centro Galego …. Prometia …
Acabamos o lanche e o Zé Manel disse logo que queria dar uma volta … e lá fomos todos menos o Joao que continuava dormitando e gemendo na cave da casa ….
Próximo Capitulo – No Centro galego