quarta-feira, 25 de julho de 2007

“não estamos preparados para o mundo ou o mundo não esta preparado para nos!"

O baixo astral vai se propagando a passos gigantes dentro do meio Brasquez (mesmo que seja um baixo astral algo irónico e metafórico), por isso, e respondendo aos vários apelos da minha irmã, vejo-me obrigado a partilhar uma linhas sobre o assunto.

Tomo a ousadia de fazer um copy paste da mensagem da joão...duma frase que me pareceu ser chave. Somos nos que não estamos preparados para o mundo ou será o mundo que não esta preparado para nos?

A resposta, tendo em conta, em particular, a minha experiência nos últimos 2 anos (pos-carreira académica) e claramente “o mundo não esta preparado para nos”. Eu estou preparadíssimo, sei exactamente o que quero, para onde vou. Ate tenho os diplomas que me tinham dito que eram tão importantes. O mundo e confuso e contraditório por natureza. Nos vamos crescendo dia a dia descobrindo novas mentiras ou meias verdades. Desmascarando mentirosos e cúmplices. No entanto o resultado e sempre ambíguo.

Começando pela mentira que todo o pai passa para filho(nos cometeremos o mesmo erro, faz parte de ser pai)...”Filho, quando cresceres podes ser o que quiseres”. Infelizmente não e bem assim. Principalmente nos dias de hoje. Criou-se, ninguém sabe muito bem como, a ideia de que hoje em dia existem mais alternativas de trabalho como nunca existiu no passado. Eu pessoalmente não as encontro. Só há trabalho para vendedores...o novo grito de guerra e vender, vender, vender. Em todas as áreas....Direito, medicina, artes, arquitectura, engenharia, media, etc...

O problema e quando o filho diz ao pai...”pai, mas eu não quero ser vendedor”.

O precipício entre as alternativas académicas e alternativas profissionais e gigante, e muito difícil atravessar. Existem umas pontes, um bocado escondidas, degradadas, sempre muito perto de desabar a qualquer momento. Quem as tenta atravessar encontra todo o tipo de obstáculos, dificuldades e sacrifícios. Os poucos que conseguiram chegar ao lado de lá colhem frutos frescos que simplesmente não existem no lado de cá. Suponho que compete a cada nova geração manter e multiplicar essas pontes. Pessoalmente não o tenho conseguido fazer com grande sucesso, por isso vou-me agarrado as pequenas vitorias.

E tão fácil cair naquele ciclo vicioso da segurança que vai destruindo as ditas pontes. Tantos de nos caiem nessa asneira, dificultando a nossa existência, e a dos nossos futuros filhos.

Quando acabei os vários estágios que tive a sorte de arranjar encontrei-me numa posição difícil. Continuo ou espero um tempo para alcançar alguma estabilidade e depois prossigo a travessia? Infelizmente optei pela segunda. Encontrei um emprego que me parecia estável e agradável (new internationslist). Deixei a carreira que ambicionava em standby. O emprego acabou prematuramente (não por culpa própria, a companhia foi a falência) e continuo em standby. Moral da historia? A que aproveitar aquelas oportunidades que vão aparecendo esporadicamente e reagir rapidamente. Será que vou perder tempo que não devia perder? O lado positivo dos dias de hoje e que o tempo e a idade são algo irrelevantes, já que se pode ser vendedor aos 20 ou aos 60 (afinal de contas quer se aceite ou não, vamos acabar todos a trabalhar ate ao 70).

Resumindo, a que procurar coragem onde as vezes ela não abunda.

Maninha o único erro que cometes-te foi o de pensar que no estrangeiro as alternativas eram melhor. Existem outra alternativas(mas não mais) mas as armadilhas são as mesmas. A experiência fora de Portugal e enriquecedora apenas a nível pessoal e cultural. Nada mais.

Quanto a mim...acho que estou a meio da ponte, ou pelo menos lá estou em espírito. Vem lá ter comigo.

Aquele abraço

El nando

Ps- A situação não esta assim tão mal, pelo contrario.

3 comentários:

Anónimo disse...

Como sempre mano, inteligente, bem escrito e inspirador...como e que a imprensa deste mundo ainda nao reparou em ti!

Quanto a uma das ideias de que falavas de que cabia a nossa geracao criar ou abrir novas pontes, as vezes penso que isso vai ser o grande desafio da nossa vida tal como a luta contra a ditadura e o 25 de Abril foram para a geracao acima. Parece-me e que a ditadura e o fascismos eram inimigos, assim como que mais faceis e reconheciveis...a nossa luta e mais matreira e desimulada, ate porque todos vivemos dela e ate encontrar-mos alternativas nao a podemos derrubar! Aqui fica um pensamento.

A minha ideia do livro para a Ana tb servia para ti e o teu amigo, que talz fazer uma alianca queirosiana/Cervantes com o teu amigo?

Vasquez da Gama disse...

É verdadeiramente dificil lutar contra o mundo e não seguir o rumo que os maiorais esperam, quem detem os centros de poder. Não impossível. Mas o objectivo é desenvolver o espirito e a personalidade, com um plano para eventualmente, e já com um nivel no meio filhodaputante medio/alto, atacar os bois de frente. Porque embora muitas formigas possam atacar um elefante, quando as formigas estão espalhadas pelo mundo, só podem fazer muito pouco... e pouca gente as sente!

Luis disse...

.. na verdade eu acho que há vários mundos e que cada um deve e pode ir procurando o seu, contribuindo, na medida do possivel, para a sua construção ... O El Nando tem razão e faz bem em ir pensando a vida aos poucos e passo a passo, definindo objectivos parciais a alcançar e tomando as opções coerentes para os conseguir atingir. Suponho que isso lhe vem da teoria leninista .. 'Dois passos à frente e um atrás'. Apesar de poder parecer uma visão muito racional, eu acho que construir uma vida nao é mais do que definir os passos tácticos para atingir a estratégia previamente definida .. lol ... Quanto mais pensada ela estiver mais facilmente nos conseguimos defender das dificuldades e dos entraves que hão-de aparecer à nossa frente e mais facilmente conseguiremos mudar de opiniaõ e redefinir os caminhos.

Felizmente nenhum de nós está imbuido no espirito concorrente em que o objectivo principal é ter dinheiro, ter posição, ter bom carro, ser visivel socialmente .. pelo menos dessa loucura e dessa selva vocês estão livres .. Esse, decididamente, não é o nosso/vosso mundo ... O problema é que ESSE, é o mundo que existe, para o qual foram feitas as escolas e os cursos, para o qual existe mercado de trabalho ... Resta espreitar as oportunidades que vão surgindo em pequeninos mundos alternativos que vão pululando como contra-corrente por todo o lado. É preciso ter sorte, aproveitar as oportunidades, procurá-las também e, fundamentalmente, nunca deixar de ser lutador .... Cada geração tem sempre pontes novas para abrir ... Pontes que vão dar a lados diferentes e que serão passadas por pessoas que têm destinos diferentes ... Cada vez elas são mais variadas, mas é verdade, que cada vez elas sao mais estreitas e muitas vezes invisiveis ....