sábado, 8 de setembro de 2007

Coisas do passado do presente e do futuro



Estava eu em mais uma tarde de pesquisa dentro do meu novo projecto (um estudo critico e factual sobre os i
mpérios ibéricos), e encontrei-me perdido nos arquivos digitalizados da biblioteca Nacional. Já me espantara no passado recente com o excelente trabalho e sentido pragmático dos pessoal dos arquivos da torre do tombe, que em muito me tem ajudado a conduzir a pesquisa. Afinal de contas nem todos os serviços públicos se ficam pela mediocridade.

A biblioteca Nacional tem uma secção dedicada ao 25 de Abril, com artigos de jornais, panfletos, comunicados, etc...no entanto o que mais me agradou foi a secção de autocolantes distribuídos em tal conturbado e agitado período da nossa historia. No meio dos autocolantes encontrei estes bilhetes do eléctrico de Lisboa em 1975, por mérito próprio, uma relíquia histórica.

Dei comigo a pensar sobre o caminho que um pais percorre de um bilhete destes a um passe andante moderno.

Pode parecer algo trivial, no entanto sempre me pareceu que uma terra se define pelos pequenos detalhes, principalmente aqueles pormenores que só o mais atento se apercebe, tão inspiradores como inconvenientes.

Os bilhetes de 75 são um reflexo de um Portugal confuso sem duvida, mas também ambicioso, corajoso e mais importante optimista em relação ao seu presente e futuro, sem nunca querer esquecer o passado.




Os modernos passes andante do metro do Porto são o reflexo do Portugal moderno, confuso sem duvida, mas também sem opinião, deprimido, apático e exteril como os bilhetes.

George Orwell escreveu: “Quem controla o presente, controla o passado. Quem controla o passado controla o futuro.”

A revolução de Abril não foi mais que um golpe de estado militar, com os seus inevitáveis defeitos e virtudes. Falhou em muitos pontos, de tal forma que deixou de ter relevância na quotidiano “moderno”. Olhando para os bilhetes também e difícil não lembrar que embora limitada, também foi uma mutação que transformou radicalmente as relações sociais, económicas, religiosas e politicas. Foi uma mutação que pôs fim a 13 anos de guerra colonial e a 5 séculos de domínio, por vezes barbárico, imperial sobre uma série de civilizações coloniais.

O raciocínio lógico e matreiro, já que nos poderá levar a pensar que uma geração que passou pelo estado novo; pela transformação da nação (de império a pequeno estado); pelo regresso de milhões de retornados; com um banco de Portugal falido; fosse uma geração naturalmente optimista, corajosa e ambiciosa. Curiosamente a condição mudou quando os novos lideres dessa mesma geração chegaram ao poder.

Parece-me a mim que essa geração cometeu um erro fulcral. Esqueceu-se do passado. Tenha sido por euforia, negligencia ou ate mesmo necessidade, não deixa de ser um erro.

Sempre me fez muita confusão o desaparecimento dos murais de Lisboa, a transformação da sede da PIDE em apartamentos de luxo, a falta de símbolos históricos de um período que define a nossa condição actual como nenhum outro.

Muito pelo contrario, hoje em dia vota-se num Salazar para o maior Português de sempre, hoje em dia renasce a nova frente nacional (PNR) que com certa habilidade ultrapassou os obstáculos legais dum estado profundamente em ruínas.

Aqueles que controlam o presente, passaram a controlar o passado. Destruíram-no, e com ele destruíram o optimismo, a ambição e a coragem. O futuro e algo deprimente sem duvida.

Talvez seja altura de olhar para trás com novos olhos. não de uma forma dogmaticamente nostálgica como a da esquerda tradicional, nem da forma cínica da nova direita. Afinal de contas a única utilidade da historia e mesmo para que nos momentos mais difíceis se olhe para trás e se encontre alguma inspiração, alguma lição, algum exemplo, alguma alternativa, ou ate mesmo alguma solução.

Se calhar esta na hora de escrever mensagens por detrás dos passes andantes, qualquer coisa como: “Vai correr tudo bem se fizermos por isso.”

1 comentário:

Anónimo disse...

Maninho, a tua escrita pela sua elegacia,estilo e objectividade esta cada vez melhor!

Tens razao,parece que POrtugalera bemmais interssante e promissor nessa altura..emLisboa ainda encontras vestigios(bem estragados,negligenciados e quase escondidos) disso!

Depois falo-te! Bjs e abracos,mana!