terça-feira, 12 de dezembro de 2006

Em memória de Pinto da Costa




Face à desinspiração dos bloguistas e considerando o momento difícil vivido pela família portista penso que se justifica recordar alguns dos tempos gloriosos e das alegrias esfusiantes vividos ao lado de outros Dragões.

Esta é a primeira 'Cronica Passada para Memória Futura' e constitui uma homenagem a alguém que, no Calor da Noite, a planeou e permitiu.

Algures em 2004 eu escrevia ...:




Viagem à Alemanha

Então vamos lá aos pormenores picantes da grandiosa jornada nas terras dos B(r)oches …

Começo por dizer que a viagem não foi totalmente conseguida porque, em relação ao grupo de Sevilha, faltou a presença do meu cunhado Zé Maria ( que, juntamente com o Tiago, só se juntaria a nós no Estádio ) e do pernilongo Rodrigo Diego, que emprestariam a esta maratona um contributo inestimável ...

Partida de Lisboa num avião da Virgin que tinha como característica principal ser pintado de vermelho ….
Dormi a viagem toda e por isso não sei exactamente que desacatos provocou o João C.Lemos que , apesar dos 3 Lexotan’s, ainda revelava o nervoso miudinho de quem não se sente muito seguro dentro de um bicharoco voador …

Chegamos a Bruxelas às 11 h da noite e lá estava o nosso anfitrião para nos receber …
A fome apertava e fomos para um magnífico restaurante perto de casa do Fernando onde comemos um divinal Bife Rolha acompanhado por tinto da casa … Enquanto esperavamos pela rolha, o Fernando ia consultando os mapas e as indicações detalhadas fornecidas pelo Zé Maria.

Durante o jantar um primeiro sinal de que tudo acabaria por correr bem …. Entrou no restaurante um grupo de tugas portistas que vieram connosco no avião … O sinal positivo resultava do facto de eles terem alugado um carro no aeroporto e, a caminho da Alemanha, terem decidido comer qualquer coisinha …. Fica por explicar porque carga de água foram para a um restaurante a 100m de casa do Fernando e desviado do caminho que deviam seguir …..

Antes de dormir fomos fazer um reconhecimento dos percursos que deveríamos percorrer no dia seguinte … A hipótese de seguirmos com o grupo do El Nando foi praticamente posta de lado à partida primeiro, porque não se sabia onde ele estava e não ia dormir a casa , depois, porque dificilmente ele permitiria que um Mercedes acompanhasse os dois Fiat Uno ( ou Punto ) em o grupo dele seguiria …

Um parêntesis para vos apresentar a Mercês, essa bomba fantástica e fogosa que o meu querido irmão Fernando, em boa hora, e quiçá para se redimir das vezes em que atirou a minha pasta para a bouça da casa de Guerra Junqueiro, colocou à nossa disposição para nos deslocarmos à Alemanha …

A Mercês é uma verdadeira Bomba …. Fogosa e Caprichosa …. Desconfio que o meu irmão tem um fetiche por Bombas que gemem e gritam por dá cá aquela palha ….. Na verdade a Mercês é assim … à mais pequena contrariedade é vê-la a apitar e gemer por tudo o que é sítio, a piscar todos os controlos , a emitir os sons mais estranhos …. Ou porque os que a montam não estão com as correias correctamente apertadas , ou porque o travão de mão ( a Mercês é caprichosa e gosta que a travem com o pé que está mais à mão ) não está totalmente destravado .....

E , o que é mais interessante, …. A Mercês só se cala se o condutor, ciente do seu poder mágico , colocar o dedinho malcriado num ponto crítico da sua carroçaria e pressionar meigamente 3 vezes …. Para nós , esse pontinho mágico e secreto passou a ficar conhecido pelo Ponto M …. Acabamos com o mito do Ponto G …um novo mito nasceu para para adocicar o nosso imaginário fantasioso ….. Habituado como estou à masculinidade do DATESÃO 1200 que conduzo diariamente , confesso que foi uma agradável surpresa a fogosidade graciosa da Mercês.

Resta dizer que ainda bem que não estava o grupo de Sevilha completo porque a Mercês é menina que aceita, no máximo, 4 montadores: 2 à frente e 2 atrás, sendo que, no banco traseiro e entre os assentos possui algo que se assemelha a um ‘bidé’ ou a um mini-polivan o que, admito, poderá revelar-se de uma enorme utilidade em determinada circunstâncias ...

Feito o parêntesis prossigamos …. Depois do jantar ( já passava da meia-noite ) montamo-nos na Mercês e, comigo no domínio da máquina, pude experimentar pela primeira vez os caprichos daquela Bomba …. Não esquecerei o momento em que , sentado ao volante , pela primeira vez a senti implorar que lhe tocasse no Ponto M por 3 vezes ….. deu 3 gemidos de contentamento … e permitiu que seguissemos o nosso caminho …..

O reconhecimento correu sem problemas ….a saída para a Alemanha era feita em direcção a Antuérpia e era relativamente simples …. Sair de casa do Fernando , virar à esquerda, seguir pela avenida do relvado central , passar para a avenida das ávores centrais e dos lagos laterais e entrar na A12.
A entrada também era simples e ficou marcada na nossa memória para mais tarde ser utilizada convenientemente.

Antes de nos deitarmos ainda demos uma volta pela Bruxelas nocturna não esquecendo, evidentemente, La Grande Place ... Tudo completamente deserto mas , apesar de tudo, bonito ...

Em casa fomos recebidos efusivamente pela Maggie, uma cadela Pastor Alemã, que nos fez companhia toda a noite.

O Fernando, entretanto, já nos vinha enchendo a cabeça de recomendações.

“Por volta do meio-dia deve aparecer a Míriam ( a baby-seeter do Euro-Xico ) que vem cá buscar a chave de casa ..”
“Se ela não aparecer deixem a chave na caixa do correio ..”
“Quando chegarem da Alemanha têm de tocar à porta; a Mírian está avisada que vocês vão chegar
Não considerem o negligé cor-de-rosa velho como sinal de encorajamento para qualquer acto mais atrevido .... ela veste-o sempre mal entra cá em casa e , além do mais, é lésbica e está na menopausa....”
“Digam ao Fernandinho que tem de estar cá em casa por volta das 18 h de 5ª feira, porque eu não tenho chave de casa ...”
“A Maggie é menor de idade ..... ( pareceu-me que esta recomendação foi mais dirigida para o João C.Lemos ...)”
“Não comam a Mirian .....”
“Não se limpem aos cortinados, que são novos .....”

E mais um manancial infindável de conselhos úteis e recomendações típicas de irmão mais velho ...

Dividimo-nos por 2 assoalhadas: o João d’Ota ficou no quarto do El Nando e eu e o João C.L. ficamos na sala num sofá-cama. Algo apreensivo com a perspectiva, abri o dito sofá e constatei, um pouco aliviado, que era suficientemente largo para poder sobreviver a 6h de sono no mesmo leito do João C.L. A sala tem 2 janelões enormes e .... não tem persianas ... Se o João CL estava nervoso, ainda mais nervoso ficou. Pusemos a hipótese de utilizar duas pastilhas de Lexotan para lhe tapar os olhos mas ele recusou-se argumentando que lhe podiam fazer falta para a viagem de regresso de avião ... A solução surgiu quando o meu irmão Fernando entra na sala segurando uma venda rendada preta para o João CL utilizar durante a noite ... Fiquei algo intrigado com o olhar lânguido que a Maggie fez ao ver o Fernando com a ‘venda’ na mão mas pensei que ela tinha confundido a ‘venda’ com a coleira, também preta .... As minhas suspeitas vir-se-iam a confirmar, afinal, durante a noite porque a verdade é que a Maggie passou horas a roçar-se no sofá, do lado do João CL. É verdade também que, ao acordar a meio da noite e ver o João CL a dormir com a venda colocada sob os olhos, percebi que não é fácil resistir ao encanto de uma venda preta ... rendada ....

Em todo o caso conclui que se aquela ‘venda’ falasse, muitas histórias teria para contar e que, provavelmente, o mesmo se passaria com a Maggie ...

A noite acabou por correr sem problemas de maior ... para a Maggie ....

Acordamos cedo e cedo marchamos para a Alemanha montados na bela Mercês .... A viagem para Gelsenkirchen decorreu sem problemas de maior e até de forma bastante agradável ..As indicações fornecidas pelo Zé Maria eram precisas e rigorosas ..... Um único engano à chegada que nos custou 38 Km mas que não chegou a ser contratempo porque era ainda muito cedo ...... Sobre o jogo também não há nada a dizer ... foi uma limpeza ....

O problema foi o regresso ....

A Mercês ficou num parque de estacionamento ( C2 ) que ficava, no máximo , a 500 m do lado do Estádio em que nos encontravamos. Acontece que, à saída, ou porque estava escuro ou porque o nosso estado emocional estava longe de ser o mais sereno, começamos a andar .... andar.... e às tantas estávamos rodeados de adeptos do Mónaco e desembocamos no parque de estacionamento do monagascos ( começados pela letra D )...

Nenhum problema ... era só questão de ir andando até encontrar o referido C2 ..... Passamos pelo D1 .... D2 ...... D3 ....... D4 ...... e , quando pensávamos que finalmente passaríamos para o C ..... nada ... acabavam os parques ...... Depois de muito andar, finalmente conseguimos regressar ao local de entrada e , enquanto os Joões ficavam à porta do Parque, fui buscar a Mercês ... Devia ser perto da meia-noite .......

Olhei para o indicador de gasolina e comentei com os Joões que tinha gasolina mais do que suficiente para o regresso ... Mal eu sabia que, nessa noite, ainda teríamos de parar mais 2 vezes para meter gasolina ( 20 l + 25 l ) e que, mesmo assim, deixamos a Mercês mesmo nas lonas ....

Com o João d’Ota a co-piloto e com as instruções na mão pensamos que o regresso seria tão simples como a ida ... era só uma questão de seguir as instruções ao contrário ....

A primeira dificuldade foi encontrar a auto-estrada de saída .... a famosa e tristemente célebre A42 .... em direcção a Duisburg e Oberhausen ... Decidimos aproveitar uma paragem num semáforo para interrogar um BMW de matricula francesa que seguia com um casal com cachecóis do Porto ... O diálogo foi feito em português e literalmente:

Mercês - “ A42 ... sabe como se apanha ?”
BMW - “Portugueses ? Vão para Paris ?”
Mercês - “Vamos para Bruxelas”
BMW - “Então venham atrás de mim ...”

E seguiu ..... Face a esta disponibilidade , lá seguimos nós atrás do BMW ..... O tuga-emigra seguia sereno numa auto-estrada em direcção a Koln .... o ponteiro a indicar os 140-160 .... Aceitável .... Uma primeira ruga de preocupação apareceu na minha testa alta quando o meu co-piloto diz ....” Estava ali o desvio para a A42 .....” O problema foi ter dito .... “Estava” ..... Tarde demais .... Decidimos que poderíamos arriscar e seguir atras do BMW-tuga-emigra ..... Uma segunda ruga foi fazer companhia à primeira quando o ponteiro do velocímetro começou a teimar a aproximar-se dos 180 ..... e pouco depois dos 200 .... e ... um pouco mais à frente dos 220 .......

A minha testa alta ficou repleta de rugas quando , simplesmente, perdi de vista o BMW-tuga-emigra .... O filha da mãe do emigra tinha decidido mostrar que o BMW andava mesmo ...... e , francamente, eu, apesar de habituado às velocidades estonteantes do DATESÃO que conduzo diariamente entre Miramar-Porto-Miramar, achei que nem mesmo o glorioso FCPorto justificava continuar essa loucura ....

Entretanto .... 80 km já estavam no papo ..... Tínhamos agora 2 opções: ou seguíamos até Dusseldorf porque sabíamos que a famosa A42 passava por lá e não estávamos longe ou então regressávamos ao ponto de partida e recomeçávamos tudo de novo ..... Decidimos parar numa bomba de gasolina para analisar os mapas, comer qualquer coisa e tomar opções ..... Limitamo-nos a .... comer qualquer coisa ... até os mapas ficaram no carro ....

Confinado na argúcia e sentido de orientação do João d’Ota, habituado de longa data às batidas a perdizes em que se orienta sem bússola simplesmente pelo posicionamento do SOL, regressamos à Mercês e decidimos fazer uma primeira tentativa de ir até Dusseldorf ...

Este foi o primeiro erro verdadeiramente grave que cometemos ... pensar que o sentido de orientação do João manteria a mesma qualidade quando o Sol não está visível ....

Saímos para Dusseldorf mas rapidamente decidimos regressar à auto-estrada do BMW-tuga-emigra porque não nos sentimos muito seguros .... A opção foi então fazer em sentido inverso o percurso que tínhamos feito em perseguição do BMW-tuga .... até encontramos a famosa saída para a A42 por onde tínhamos passado ....

Uns quilómetros e algumas dezenas de minutos mais à frente ... lá estava o desvio .....

“Agora é que é ....” , dizia o João d’Ota optimista e confiante ...... E lá estavámos nós na A42 ..... a celebérrima auto-estrada porque ansiávamos .... A questão, que aliás nos iria perseguir durante grande parte da noite é que , assim como uma auto-estrada vai ... ela também ... vem .... isto é , lamentavelmente as auto-estradas no estrangeiro têm .... dois sentidos ..... Não sei ainda explicar porque motivo nessa noite, optámos tantas vezes pelo sentido ... errado .... Afinal, a probabilidade de acertar é de 50 % .... e, à medida que vamos errando na opção, a probabilidade de errar na opção seguinte deveria diminuir ...... Engano puro .....

Mas , continuando ..... Às tantas comecei a ver o meu co-piloto de luz acesa , a mexer nos mapas, para cá e para lá , silencioso no princípio, soltando suspiros de angustia cada vez mais frequentemente ....... Até que não aguenta e , com ar solene, diz ...” Eu não queria estar a chatear mas, já desconfiava e agora confirmo, não estamos a ir bem ....” ...... O João CL estremunhado ao lado do ‘bidé’ no banco traseiro suspirava nervosamente ......

Estávamos então na auto-estrada correcta mas, no sentido errado ..... Solução simples: utilizar a próxima saída e reentrar no sentido inverso ...... Assim o fizemos e a prática confirmou a teoria .... 10 minutos depois estávamos na auto-estrada correcta, sentido correcto, em direcção a Duisburg e Oberhausen ..... ( é incontável o número de placas em que, durante esta longa noite, vimos a inscrição Obrhausen .... Penso mesmo que demos um grito de vitória quando passamos pela referida cidade e essa palavra maldita deixou de aparecer ..... Mal sabíamos que, uma hora mais tarde ela reapareceria como que por magia a preencher de as tabuletas do nosso descontentamento..... )

O objectivo seguinte era encontrar a A3 ...... em direcção a Dusseldorf e Moers .......

Não sei exactamente como e quando aconteceu que, em plena A3 começamos a ver placas indicando Gelsenkirchen ..... e ... até .... Arena Stadium ..... O João d’Ota , que já passava pelas brasas acordou sobressaltado quando lhe apontei a placa .... e , mais sobressaltado ficou quando , ao fundo, a umas poucas centenas de metros, pudemos ver a sombra imponente e magnífica do Arena Stadium às escuras .... aquele mesmo estádio que tinha sido motivo de tantas alegrias e momentos de felicidade umas horas antes , era agora afinal, motivo de desolação e frustração ......

Tudo recomeçou de novo, com a diferença que, desta vez, não iríamos cair na asneira de seguir a peugada da boa vontade de um qualquer BMW-tuga-emigra .... Até porque, devido ao adiantado da hora ( deveriam ser umas 3h da manhã ) ... já não havia caros na rua, muito menos tugas-emigras montados em BMW azeiteiros e enganadores.....

Lá seguimos nos em demanda da A42 perdida ... um optimismo comedido acompanhava-nos ... Bruxelas ficava a 2h,30 de viagem a velocidade moderada ... o Avião era às 7h, o táxi estava marcado para casa do Fernando às 5,45h ... Eram 3h da manhã ... O tempo chegava à vontade ......

Para mais agora conhecíamos claramente o caminho que deveríamos percorrer .... Encontrar a A42 foi desta vez simples ..... Da A42 para a A# foi um passinho que também decorreu sem problemas ..... Descansados e confiantes que agora a Mercês podia ligar o piloto-automático lá seguimos nós pela A3 com o objectivo de apanhar a E34 que nos faria atravessar a Holanda e entrar na Bélgica ......

Nessa altura só eu estava acordado, como convém a quem conduz .... Preparava-me até para dizer ao João CL para me substituir um pouco ( a verdade é que queria experimentar as delícias das traseiras da Mercês ...) quando reparo que já não estavamos na A3 mas.... na A2 ....... em direcção nem me lembro para onde ...... Acordo um João d’Ota que ronronava ao meu lado e digo ....” Perdemos a A3 ........” Há um momento de frisson ... um daqueles momentos em que parece que a equipa se vai desunir e vão começar as recriminações e o lavar da roupa suja ......... e o João d’Ota acende pela vigésima vez a luz, pega nos mapas e diz .... “Já não estou a ver nada .....”

Evidentemente que, num sítio qualquer da A3, tínhamos metido para a A2 .... A solução parecia simples .... Sair da A2 o mais rápido possível, e reentrar no sentido inverso até encontrar o desvio para a A3 que não tínhamos feito .....

Só que desta vez a teoria revelou-se bem mais simples que a prática ..... Sair da A2 foi simples ..... reentrar nela .... impossível .... O desvio levou-nos a uma cidadezinha completamente deserta .... Não só não conseguimos encontrar a reentrada na A2 no sentido contrário como, quando tentamos reentrar na A2 no mesmo sentido errado verificamos que a entrada ...... estava cortada por estar em obras .....

O problema ganhava agora uma dimensão de nível superior ... Já não era só um problema de encontrar a auto-estrada correcta ... Tratava-se de encontrar uma QUALQUER auto-estrada ......... eram 4 horas da manhã .... o tempo começava a ficar curto .... mesmo contando com a fogosidade da Mercês começava a ficar em risco o conseguir apanhar o avião em Bruxelas .....

E é nestes momentos que parece que há uma entidade superior que comanda os nossos sentidos , qual Pinto da Costa aos comandos de um gigantesco e potente GPS ......

Sem saber como e depois de tentar desesperadamente encontrar uma placa azulinha indicativa de auto-estrada ... lá apareceu ela ao longe .... e ... milagre dos milagres ... era a A3 ...... e era a A3 no sentido correcto ......

O relógio apontava as 4h30 ... Ainda era possível .... Deixem-nos sonhar, susurrava o João CL nas traseiras da Mercês .... Eu, por mim, já tinha decidido trocar as traseiras da dita pela garantia de conseguir chegar ao aeroporto a tempo de apanhar o avião ....

Foi então que pudemos comprovar as delícias selvagens da Mercês .... Com o prego mais ao menos a fundo , foi vê-la correr pela A3 em direcção à E34 ..... Houve só mais um momento em que o desalento se apossou de nós .... Foi quando, na entrada da Holanda , uma fila de carros se começou a formar e uma operação Stop identificava aleatoriamente os passageiros de alguns automóveis .... Tanto esforço em vão ..... Um polícia pediu os nossos BI e dirigiu-se a uma carrinha provavelmente para verificar se éramos cadastrados .... Foi nessa altura que pensei que a Providência estava do nosso lado e que tinha sido uma força superior que tinha orientado a direcção da SAD portista a pagar a viagem de avião ao Zé Maria .... Onde estaríamos agora se ele também estivesse nas traseiras da Mercês ... Quem iria convencer os polícias holandeses que ele não era um perigoso marroquino e que a tez escura provinha das origens aristocráticas de sua mãe e do muito sol que apanhou enquanto criança ......

Foram 10 minutos perdidos na entrada da Holanda mas que foram rapidamente recuperados pela Mercês logo que o policial nos passou os BI para a mão ...... Paramos para meter mais gasolina ... a Mercês, quando lhe puxam pelo corpo revela-se uma diabinha exigente e sequiosa ....

A entrada em Bruxelas , que tinha sido marcada na nossa memória na noite de 3ª feira ..... varreu-se .... Não entramos onde devíamos ... fomos parar a uma espécie de Parque de Monsanto ...... Eram 6h20m quando conseguimos encontrar um táxi a quem entregamos um bilhetinho com a morada de casa do Fernando ..... Enquanto eu metia a Mercês na garagem experimentando na obscuridade daquela cave bafienta, e pela última vez, os 3 toques mágicos no seu Ponto M, o João CL tocava à porta e, sem sequer reparar no negligé cor-de-rosa da Mírian e muito menos achando estranho que a Maggie o tenha recebido com a venda preta nos olhos, pegou nos sacos e desceu a correr para o táxi .....

O Megane que nos calhou nem por sombras se comparava em graciosidade com a Mercês, mas a verdade é que conseguiu pôr-nos à porta do aeroporto às 6h,40m .... O guiché da Virgim estava ao fundo , o check-in foi feito ... estávamos definitivamente a salvo ..... A porta de embarque era a número 72 .... a mais longínqua das portas de embarque do aeroporto de Bruxelas ......

Aterramos em Lisboa às 9h da manhã , sob um sol radioso ....

O dia tinha corrido bem .... e a noite ... menos mal ......


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