sábado, 25 de novembro de 2006

Uma pergunta

Nao resisti a tentacao, e a falta de sono esfumacou a desculpa para nada escrever.
Acabei de chegar de um concerto de musica...ora bem, nao sei muito bem como descrever. Fazia parte do programa do atlantic waves, que e um festival de musica portuguesa em Londres organizado pela gulbekien. Ando a escrever umas crónicas dos concertos para a “vida nova”, uma revista de emigras em Inglaterra que me oferece bilhetes de graça em troca das ditas crónicas.
Depois de um longo dia de trabalho fui a correr de mochila as costas, corajosamente batalhando contra a chuva e o vento ciclónico(este acento e um oásis no deserto ortográfico de el nando, nao se habituem) londrino, para ir ver a maior merda que ja ouvi na minha vida. Era daqueles concertos de musica experimental muito prepotente e sem qualquer tipo de coerência ou interesse. Desgastado depois de oito horas em pe a pedir a estranhos de fato e gravata que assinassem uma campanha da oxfam para lutar contra o mercado de armas (sim, e esse o meu emprego, e ate pagam bem, considerando a palhaçada que e o quanto eu odeio a oxfam), encontrei a versão da revista dos emigras que comigo carrego a duas semanas para tentar decifrar o estilo de escrita com o qual tenho de obedecer religiosamente. Foi então que fiquei a descobrir o maravilhoso mundo da liga de futebol emigrante da área metropolitana de Londres, melhor conhecida por “Sportmans Sénior Sunday football league”. Na tabela classificativa encontrei equipas com nomes como Mónaco of Lambeth, Varsóvia FC, Chelsea Dínamo, Kew antigua, AFC Corinthians e newington Besiktas. Todas equipas constituídas por emigrantes dos respectivos países. Mas o melhor e que a liga e completamente dominada por equipas tugas. Nos primeiros 4 lugares estão o GD Bragança, C. Santacruzense of London, o inevitável FC porto of London(num vergonhoso 3 luguar), e finalmente AD Machico. O Sport London e Benfica esta em 6 lugar(isto e, no lugar certo). Deliciei-me com as fotos artísticas das equipas em accao (Mesmo exibindo as pancas e bigodacas mais voluptuosas o GD Bragança esta em primeiro lugar). Foi então que me lembrei de Stockwell, Little Portugal, um quarteirao dominado pela comunidade portuguesa em Londres, onde vivem cerca de 200 mil tugas. Durante o mundial tive a oportunidade de ficar a conhecer melhor esse meio. Ja em Bruxelas e num passado nao muito distante em Londres, tinha visitado estes centros de emigrantes, mas nunca tão frequentemente como no mundial, por razoes obvias. Fiquei impressionado, pois nunca me senti tanto em Portugal como em Stockwell. Nem sequer quando estou em portugual. Em stockwell encontrei um Portugal indiferente ao tempo, sem complexos de admitir o que verdadeiramente e , o que foi e o que vai ser. Azeiteiros ao máximo e orgulhosos de o ser. Tudo gente simples, de sorriso nos lábios e activos sem aquela pasmaceira inerte que se respira no rectângulo...aquela que diz somos um pais pequeno e nao vale a pena...um bairro com um sentido de comunidade invejável e impossível de encontrar em qualquer bairro no porto(talvez a ribeira me possa contradizer...mas percebem onde quero chegar). Muito criticamos os emigras quando visitam Portugal. Seja pelo Mercedes amarelo com estofes de couro, ou pelas vivendas com leões de porcelana a porta. No entanto ensinaram-me mais sobre o que e ser português do que 16 anos mais inúmeras visitas a terra que nos viu nascer. Talvez seja porque tal como eles, sou azeiteiro e emigrante.
Isto tudo para fazer uma simples pergunta. Alguém que me explique como e que escrevo uma crónica sobre um concerto de musica experimental comtemporanea para uma revista de emigras?
Boa noite...El nando

Sem comentários: